A obesidade mais que dobrou entre brasileiros com 20 anos ou mais ao longo de pouco mais de uma década e meia. O índice passou de 12,2% em 2003 para 26,8% em 2019, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Projeções indicam que, até 2030, 50% da população adulta global poderá apresentar Índice de Massa Corporal (IMC) alto — acima de 25 kg/m².
As buscas por medicamentos utilizados na perda de peso superaram as consultas por dietas no Brasil em 80% em 2025, além do aumento de 1.100% nas pesquisas pelo termo liraglutida, princípio ativo do medicamento Olire, segundo dados divulgados pela VEJA Saúde. O Brasil ocupa a 4ª posição global em buscas por tirzepatida e a 8ª por semaglutida, substâncias presentes em medicamentos como Mounjaro, Ozempic, Wegovy e Rybelsus.
O Dr. João Ferrari, médico com formações em nutrologia e medicina do esporte, destaca que o acompanhamento médico estruturado é essencial para o sucesso do tratamento da obesidade, porque se trata de uma doença crônica, complexa e multifatorial. "Diante do aumento dos casos de obesidade e da busca por soluções rápidas, é importante frisar que ela não pode ser tratada de forma eficaz apenas com soluções pontuais ou medidas isoladas", informa.
Ele ressalta que o papel do médico é avaliar o paciente de forma ampla, identificar causas e agravantes, definir a melhor estratégia terapêutica e acompanhar a evolução com ajustes ao longo do processo. "Mais do que promover perda de peso, um tratamento bem conduzido busca preservar massa muscular, melhorar parâmetros metabólicos, reduzir riscos cardiovasculares e construir resultados sustentáveis", acrescenta.
De acordo com o profissional, o uso sem acompanhamento adequado pode trazer riscos significativos, como falta de avaliação de contraindicações, manejo incorreto de efeitos colaterais e ausência de um plano de manutenção. "O paciente pode até perder peso em um primeiro momento, mas muitas vezes perde também massa magra e não corrige a base do problema. Isso aumenta a chance de efeito rebote, frustração e dependência de soluções imediatas, sem construção de saúde a longo prazo", explica.
Acompanhamento médico estruturado
O Dr. João Ferrari enfatiza que, quando há estrutura, individualização e monitoramento, o tratamento deixa de ser uma tentativa temporária e passa a ser uma intervenção real em saúde. "Cada paciente tem uma história clínica, um perfil metabólico, uma rotina, um padrão alimentar, um nível de estresse, uma qualidade de sono e um contexto emocional diferentes. Quando o tratamento é individualizado, é possível integrar esses fatores de maneira estratégica".
São avaliados exames, composição corporal, presença de resistência insulínica, inflamação, alterações hormonais, compulsão alimentar, sedentarismo, sono inadequado e outras variáveis que influenciam diretamente no ganho ou na dificuldade de perda de peso. Para o médico, a partir disso, o protocolo deixa de ser genérico e passa a conversar com a realidade do paciente, aumentando adesão, segurança e qualidade dos resultados.
O profissional pontua que a popularização das chamadas "canetas emagrecedoras" tem impactado o tratamento da obesidade em dois sentidos. Por um lado, ajuda a ampliar a discussão sobre obesidade como doença e mostra que existem recursos modernos e eficazes no tratamento. Por outro lado, essa popularização também leva à banalização.
"Isso contribuiu para que mais pessoas procurassem ajuda e passassem a olhar a obesidade com mais seriedade clínica. No entanto, muitas pessoas passaram a enxergar essas medicações como solução simples, acessível e universal, desconectada de avaliação médica e de acompanhamento. Isso é preocupante, porque fortalece a ideia de atalho, quando a obesidade exige abordagem contínua, criteriosa e individualizada", reforça o Dr. João Ferrari.
A medicação pode ser indicada quando há critérios clínicos para isso e quando ela realmente representa benefício dentro de um plano terapêutico mais amplo. Todavia, o médico salienta que a decisão nunca deve ser baseada apenas na pressa por emagrecer. Segundo ele, há casos em que o foco inicial precisa estar em reorganizar alimentação, melhorar sono, reduzir sedentarismo, tratar questões emocionais e corrigir desequilíbrios clínicos que interferem no metabolismo.
"A medicação não substitui a base do tratamento. Ela pode ser uma ferramenta importante, mas precisa estar inserida em uma estratégia completa e bem indicada. O grande desafio hoje é justamente separar o entusiasmo em torno dessas medicações da condução responsável e baseada em ciência", afirma o médico.
De acordo com o Dr. João Ferrari, a abordagem multidisciplinar — nutrição, atividade física e saúde mental — é um dos pilares do tratamento bem-sucedido da obesidade e pode se integrar ao uso de medicamentos. Segundo ele, a intervenção medicamentosa pode ajudar no controle do apetite, da saciedade e da resposta metabólica, mas não substitui a necessidade de reorganizar o comportamento alimentar.
"Existe uma diferença significativa nos resultados entre pacientes que seguem um protocolo estruturado e aqueles que adotam o uso de medicações por conta própria. Muitas vezes, o paciente enxerga a medicação como solução principal, quando, na verdade, ela deve ser parte de um processo. Os melhores resultados acontecem quando o tratamento é entendido como uma jornada de reequilíbrio metabólico e mudança de estilo de vida", conclui o Dr. João Ferrari.
Para saber mais, basta acessar o site do Dr. João Ferrari: https://drjoaoferrari.com/
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