Um voo da Flydubai de Dubai para Tel Aviv fez um pouso forçado na Arábia Saudita após o copiloto esfaquear o piloto para tentar derrubar o avião. Passageiros e tripulantes invadiram a cabine, imobilizaram o agressor e evitaram o desastre. Com 174 pessoas a bordo, a aeronave pousou em segurança em Tabuk, comandada por outro tripulante. Ambos os pilotos foram hospitalizados e o agressor foi detido. Autoridades israelenses tratam a ação individual como uma tentativa de ataque terrorista.
Copiloto esfaqueou o piloto em voo de Dubai a Tel Aviv com 174 pessoas a bordo. Tripulantes e passageiros invadiram a cabine e imobilizaram o agressor que, segundo governo israelense, tentava derrubar a aeronave.Um voo da companhia aérea Flydubai teve que fazer um pouso de emergência na Arábia Saudita, nesta quarta-feira (30/9), após o copiloto ter esfaqueado o piloto, dentro do cockpit. Segundo o governo israelense, o agressor tentava derrubar a aeronave, antes de ser impedido por passageiros e pela tripulação.
O avião havia decolado de Dubai, nos Emirados Árabes, e tinha como destino Tel Aviv, em Israel, e levava cerca de 174 passageiros, entre eles 166 israelenses.
A informação foi confirmada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que afirmou que passageiros e tripulantes "salvaram muitas vidas e impediram um enorme desastre" ao intervir no incidente.
Segundo informações da companhia aérea, a aeronave desceu em Tabuk, na Arábia Saudita, pilotada por outro membro da tripulação que viajava na cabine, com os passageiros em segurança. Duas aeronaves teriam sido enviadas a Tabuk para transportar os passageiros e os membros da tripulação. Ambos os pilotos foram levados ao hospital e o agressor foi preso, disse Netanyahu.
O que foi registrado durante o voo?
"O Boeing 737 que operava o voo FZ 1073 decolou de Dubai pela manhã. Antes de chegar à fronteira com a Jordânia, fez uma curva brusca para o norte e perdeu cerca de 4,3 quilômetros de altitude em 30 segundos, segundo o site de rastreamento Flightradar24. Em seguida, foi acionado o primeiro alerta.
Inicialmente, a aeronave transmitiu o código 7700, que indica uma situação de emergência, e, em seguida, o código 7500, utilizado para comunicar um sequestro de aeronave.
O avião voou então a uma altitude mais baixa, seguindo uma trajetória irregular, até que, ao chegar à fronteira com a Jordânia, deu meia-volta e seguiu para Tabuk, onde realizou um pouso de emergência.
O piloto e o copiloto do avião ficaram feridos e foram levados ao hospital ao pousar em Tabuk, informou o aeroporto saudita em um comunicado.
O que aconteceu dentro do avião?
O avião começou a rodar "praticamente fora de controle", disse a passageira Miryam Shira Ohayon, citada pela agência de notícias Reuters. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto havia esfaqueado o piloto na tentativa de assumir o controle e derrubar a aeronave.
Quando o avião começou a cair, um passageiro e um membro da tripulação invadiram a cabine de comando, disse Netanyahu, citando um passageiro com quem conversou. Eles imobilizaram o agressor e outro membro da tripulação recebeu a permissão para assumir o comando do avião.
Entre os passageiros que intervieram estavam membros das forças de segurança israelenses e agentes de segurança aérea, segundo uma fonte a par da investigação, citada pela agência de notícias France Presse (AFP). Uma autoridade também confirmou que Israel havia mobilizado aviões de combate, temendo um sequestro. A fonte falou sob condição de anonimato à AFP.
A FlyDubai confirmou que "ocorreu uma briga na cabine de comando" e que a aeronave foi controlada pela tripulação de plantão, "que desviou a rota e pousou a aeronave com segurança".
O Canal 12 da televisão israelense divulgou vários vídeos que mostram momentos de caos durante a descida repentina. Um vídeo também mostra três passageiros ensanguentados ao lado da cabine do avião, protegendo os dois pilotos, que aparecem no chão e ensanguentados. Eles afirmam ter "controlado o terrorista" depois que ele esfaqueou o piloto e tentou atacá-los.
"Fomos atacados e estamos protegendo o piloto que foi atacado", afirmam os homens, enquanto mostram tanto o suposto agressor, deitado de lado no chão e com uma máscara de oxigênio, quanto o agredido, também deitado no chão com outra máscara.
Quem era o copiloto e qual a motivação do ataque?
De acordo com a Reuters, o suposto agressor seria um cidadão de Omã. Ele foi detido após o pouso. As autoridades da Arábia Saudita estariam interrogando o homem, declarou Netanyahu.
Integrantes das forças de segurança israelenses avaliaram o incidente, a princípio, como uma tentativa de ataque terrorista. Não haveria indícios de problemas psicológicos em nenhum dos pilotos, disseram.
O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que o agressor tinha como único objetivo fazer com que a aeronave caísse. Ele classificou o caso como uma tentativa de "ataque jihadista", mas não explicou em que se baseia para classificar o caso dessa maneira.
Já Doron Spielman, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro israelense, disse à Reuters que provavelmente não se trata de um sequestro, mas de um incidente de outra natureza.
Segundo a imprensa israelense, as investigações de Israel apontam que o copiloto agiu sozinho. Não haveria indícios de que um Estado ou uma organização terrorista pudesse estar por trás do incidente, informou a emissora de TV israelense Kan, citando fontes de segurança israelenses.
Nos últimos dias, Netanyahu alertou sobre a possibilidade de ocorrerem ameaças de segurança, sem especificar detalhes. Israel está a uma semana do aniversário do ataque liderado pelo Hamas contra Israel, ocorrido em 7 de outubro de 2023, que desencadeou uma série de guerras, e a poucas semanas de uma eleição.
fcl/md (AP, AFP, DPA, Reuters)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.