Um relatório da PF aponta indícios de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o senador Jaques Wagner e o Banco Master. Segundo a investigação, Wagner atuava no Senado em favor da instituição financeira e solicitava vantagens ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e principal elo entre eles. Diante do avanço do inquérito tornado público pelo STF, o parlamentar deixou a liderança do governo no Senado. A defesa de Wagner ainda não se manifestou publicamente.
Diálogos envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) dão "robustos indícios" de crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de ativos, segundo um relatório da Polícia Federal (PF) cujo sigilo foi retirado nesta sexta-feira (11/09), em meio à abertura ao público pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de investigações sobre o Banco Master.
Segundo investigadores, em conversas, Wagner demonstrou interesse em notícias sobre o Master, além de ter acompanhando do parlamento pautas de interesse do banco.
Em agosto de 2024, o senador teria enviado uma mensagem para Augusto Ferreira Lima afirmando: "Vamos marcar, que eu precisava conversar com você pra saber como estão as coisas do banco". Para a PF, seria uma referência ao Master.
O banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, seria o principal elo entre Wagner e o Master. Vários diálogos entre ele e o senador são explorados no relatório da PF.
"Para além de uma eventual amizade, o relacionamento entre ambos, do que se depreende dos diálogos, parece ser uma via de mão única: em regra, o Senador recebe ou solicita vantagens ou favores, e o empresário os concede", diz o documento.
Aliado histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Wagner deixou de ser líder do governo no Senado após tornar-se alvo de investigações da PF relacionadas ao Master.
A BBC News Brasil está em busca de um posicionamento do senador petista através de sua assessoria de imprensa.