Determinar o momento exato de aposentar o tênis de corrida nem sempre é uma tarefa simples. Embora a recomendação convencional sugira a substituição dos calçados após uma rodagem de 480 km a 800 km, essa frequência pode representar um investimento alto para corredores assíduos. Além disso, a ciência ainda busca entender como exatamente o desgaste impacta o risco de lesões, já que testes laboratoriais nem sempre mimetizam o comportamento do pé no asfalto.
O jornal The New York Times perguntou a especialistas como saber quando está na hora de trocar o companheiro de corridas. De forma geral, o conselho padrão é trocar os tênis a cada 480 km a 800 km.
Saiba o momento exato de trocar seu tênis de corrida
Segundo Allison Gruber, professora de cinesiologia na Universidade de Indiana-Bloomington, a maioria dos especialistas concorda que o ideal é realizar a troca antes mesmo que o desconforto se torne evidente.
Diversos fatores aceleram a degradação do material, desde o peso corporal e o tipo de terreno até condições climáticas de umidade e temperatura. Adam Tenforde, diretor de medicina da corrida do Spaulding National Running Center, alerta que utilizar o calçado de corrida para outras atividades, como musculação, também encurta sua vida útil.
Outro ponto relevante é a composição do produto: modelos modernos de competição, que utilizam espumas leves e tecnológicas, tendem a se deteriorar mais rápido do que os tênis de treino convencionais, conforme explica JJ Hannigan, pesquisador de biomecânica.
Ainda que o par antigo pareça confortável, a perda silenciosa do amortecimento impõe mudanças sutis na mecânica da passada. Pesquisas indicam que, após cerca de 320 km, o corpo já começa a realizar pequenos ajustes de ritmo e movimento para compensar a perda de suporte. Essas alterações, segundo Gruber, podem não causar dores imediatas, mas criam um cenário favorável ao surgimento de lesões futuras.
Por fim, para identificar o desgaste, o corredor deve observar sinais visuais como rugas profundas na espuma da entressola ou a perda de tração no solado. O desgaste assimétrico da sola também é um indicativo importante para quem possui pisada pronada ou supinada. No entanto, a percepção sensorial continua sendo uma ferramenta poderosa. Brendan Martin, fisioterapeuta em Nova York, descreve que o tênis começa a parecer "morto" ou menos elástico com o passar do tempo. Ele compara a situação ao crescimento do cabelo: "Você o vê no espelho todos os dias, então não percebe que ficou meio comprido e desgrenhado até alguém apontar que você precisa de um corte". Na dúvida, o teste definitivo é experimentar um par novo do mesmo modelo para sentir o contraste imediato na resposta do calçado.