Condicionada à presença de motorista, medida abre caminho para ampliação a todo o bloco. Empresa de Elon Musk sofre com vendas no continente.Num caso inédito na Europa, a Holanda se prepara para permitir que proprietários de veículos Tesla utilizem o recurso de direção assistida dos seus carros — ou seja, quando o carro assume a condução, sob supervisão de um motorista.
"O sistema de assistência ao motorista agora pode ser utilizado na Holanda, com possível expansão futura para todos os Estados-membros da União Europeia," disse a RDW, agência holandesa responsável por certificações de segurança viária, no fim da noite de sexta-feira (10/04).
A medida alinha a Holanda ao que já é permitido nos Estados Unidos, onde proprietários de Tesla podem utilizar o mesmo recurso.
A função transfere a condução ao sistema computacional da Tesla, incluindo direção, frenagem, navegação de rotas e estacionamento, sob a supervisão ativa do motorista, que deve estar pronto para assumir a direção, se necessário.
Caminho aberto para resto da UE
A subsidiária europeia da Tesla, montadora de veículos elétricos comandada pelo controverso magnata Elon Musk, comemorou a decisão holandesa.
Já a RDW destacou a diferença entre o modo de direção supervisionada, no qual um humano permanece no controle, e a condução totalmente autônoma. "Trata-se de um sistema de assistência ao motorista, e o condutor continua sendo responsável e deve manter sempre o controle."
O parecer da RDW precisa agora ser submetido à Comissão Europeia para autorização, de forma que a certificação nacional tenha validade em toda a UE.
Dificuldades para Tesla
Mas as vendas da Tesla enfrentam dificuldades na Europa, inclusive na Holanda, nos últimos dois anos. Potenciais compradores têm se afastado da marca devido ao ativismo político de Musk, que tem apoiado pautas da ultradireita nos Estados Unidos e na Alemanha.
Além disso, a empresa enfrenta concorrência crescente de fabricantes chineses de veículos elétricos. Em janeiro, a BYD se tornou a maior vendedora mundial do segmento, após ter entregado 2,26 milhões de carros movidos a bateria em 2025, contra 1,64 milhão da Tesla.
No ano passado, um júri em Miami, no estado americano da Flórida, condenou a Tesla a pagar indenização de 243 milhões de dólares (R$ 1,3 bilhão) por um acidente em 2019 envolvendo um de seus carros que matou uma mulher e feriu gravemente o namorado dela.
O caso foi visto como um revés para os esforços de Musk em atrair investidores para fazer da Tesla líder no mercado de direção autônoma em carros particulares e robotáxis. Processos anteriores parecidos tinham sido resolvidos extrajudicialmente ou arquivados.
ht (AFP)