Novo aiatolá não comparece ao funeral de Khamenei no Irã

Filho do líder supremo morto, Mojtaba Khamenei estaria escondido desde ataque que abriu guerra no Oriente Médio

5 jul 2026 - 06h55
(atualizado às 07h32)
Segundo dia do funeral de Ali Khamenei lotou centro religioso em Teerã, com estimadas centenas de milhares de pessoas
Segundo dia do funeral de Ali Khamenei lotou centro religioso em Teerã, com estimadas centenas de milhares de pessoas
Foto: DW / Deutsche Welle

Três filhos do aiatolá Ali Khamenei, falecido líder supremo do Irã, rezaram ao lado do seu caixão neste domingo (05/07), o segundo dia do seu funeral. Mas entre eles não estava Mojtaba Khamenei, aquele que o sucedeu como autoridade máxima do regime no país persa. Ele não é visto em público há meses.

Eram velados os caixões de outros quatros membros da família, todos mortos no ataque por Estados Unidos e Israel que, em 28 de fevereiro, abriu a guerra no Oriente Médio.

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A TV estatal mostrou Mostafa, Meysam e Masoud Khamenei rezando atrás dos caixões colocados no vasto pátio do Grande Mosalla Imam Khomeini, em Teerã, um amplo complexo religioso.

Numa demonstração de devoção pública ao Estado teocrático, a República Islâmica deu início na sexta-feira a uma semana de cerimônias fúnebres para Khamenei, que incluirão levar seus restos mortais a locais religiosos xiitas no vizinho Iraque.

Após um dia sendo velado em ambiente interno para que líderes iranianos seniores e autoridades estrangeiras pudessem prestar homenagens, o caixão de Khamenei foi exibido ao ar livre no sábado, sob um vidro, juntamente com os de sua filha, genro, nora e neta de 14 meses.

Novo líder supremo estaria escondido

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Ainda não houve aparição pública nem divulgação de imagem de Mojtaba, que se diz ter ficado ferido no bombardeio, antes de ser escolhido para o cargo de líder supremo. Acredita-se que ele esteja escondido. Israel ameaçou matá-lo também.

O seu rosto ficou desfigurado e ele sofreu uma lesão significativa em uma ou em ambas as pernas, disseram pessoas próximas ao seu círculo íntimo à agência de notícias Reuters.

Um público muito maior do que no dia anterior compareceu ao funeral neste domingo. Pessoas vestidas de preto carregavam faixas e bandeiras em homenagem a Khamenei e pediam a morte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Mohammad Rasouli, um poeta que apresentou o evento antes das orações, perguntou nos alto-falantes, referindo-se a Trump: "Por que o homem mais bastardo do mundo ainda está vivo?". Foi a primeira ameaça direta à vida do chefe da Casa Branca por um funcionário durante o funeral.

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Ziba Naderi, enfermeira de 42 anos que participou do funeral, disse que o Irã precisa seguir tudo o que Mojtaba ordenar em relação ao país. "Ouvi o chamado por vingança, mas nosso líder deve dizer o que precisamos fazer. E devemos ouvi-lo."

A rede de metrô iraniana informou ter registrado 7 milhões de viagens desde o fim de sábado até a manhã de domingo, à medida que as pessoas se dirigiam ao centro. As autoridades não forneceram, entretanto, estimativa oficial de comparecimento nos eventos deste fim de semana. Outras cidades em todo o Irã também realizaram cerimônias de luto.

Riscos de segurança reduzidos

O chefe da Guarda Revolucionária, general Ahmad Vahidi, que só havia sido fotografado pela primeira vez desde a guerra na última quinta-feira, pôde ser visto na multidão por jornalistas da agência Associated Press, ladeado por forças de segurança à paisana enquanto usava um boné preto.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, e Esmail Qaani, que lidera a Força Quds da Guarda Revolucionária, também compareceram.

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A aparição da família Khamenei e de altos funcionários do Irã sinaliza uma nova confiança na sua segurança. A sua presença diante de centenas de milhares de pessoas em Teerã teria sido impensável nos últimos meses, o que forçou o adiamento do funeral de Khamenei.

As autoridades iranianas só anunciaram as cerimônias desta semana depois que um cessar-fogo frágil entre Washington e Teerã entrou em vigor.

Ao mesmo tempo, autoridades federais dos EUA vêm monitorando ameaças iranianas contra Trump e outros membros do governo há anos. O Irã negou repetidamente planejar matar o republicano, embora materiais de propaganda linha-dura há muito tempo sugiram o contrário.

Trump, por sua vez, prometeu destruir a própria civilização do Irã durante a guerra, entre várias outras ameaças. As negociações entre EUA e Irã para alcançar um fim permanente para a guerra estão suspensas até o término do funeral.

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ht (AFP, AP)

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