Uganda fecha fronteira e EUA prometem barrar entrada de casos em reação paralela ao avanço do ebola

Uganda fechou nesta quarta‑feira (27) sua fronteira com a República Democrática do Congo (RDC) para conter o avanço do ebola, enquanto os Estados Unidos anunciaram que não permitirão a entrada de nenhum caso em seu território. As medidas, adotadas em paralelo, refletem a preocupação com a expansão do surto.

27 mai 2026 - 16h09

O avanço da epidemia de ebola na República Democrática do Congo levou dois países a adotar medidas paralelas e rígidas de contenção nesta quarta‑feira (27). Uganda decidiu fechar temporariamente sua fronteira com o território congolês, enquanto os Estados Unidos anunciaram que não permitirão a entrada de nenhum caso em seu território. As decisões refletem a preocupação crescente com a propagação do vírus, que se espalha em meio a conflitos armados e deslocamentos populacionais no leste da RDC.

Funcionários da Sociedade da Cruz Vermelha de Uganda são borrifados com desinfetante durante a remoção do corpo de uma suposta vítima de ebola em Kampala, em 26 de maio de 2026.
Funcionários da Sociedade da Cruz Vermelha de Uganda são borrifados com desinfetante durante a remoção do corpo de uma suposta vítima de ebola em Kampala, em 26 de maio de 2026.
Foto: AFP - BADRU KATUMBA / RFI

A epidemia foi declarada em 15 de maio na província de Ituri, no nordeste congolês, região marcada por confrontos entre grupos armados e forças governamentais. O surto é provocado pelo variante Bundibugyo do vírus ebola, para o qual não há tratamento específico nem vacina disponível. Desde o início da crise, casos foram registrados também nos Kivus e em Uganda, onde sete infecções foram confirmadas, incluindo uma morte.

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A Organização Mundial da Saúde contabiliza mais de mil casos suspeitos e 223 mortes, mas alerta que os números reais podem ser maiores. A dificuldade de acesso às áreas afetadas, somada à instabilidade provocada por grupos como o M23 e as milícias locais, impede que equipes médicas circulem com segurança. O leste da RDC vive há décadas um cenário de violência contínua, com disputas territoriais, presença de facções armadas e deslocamentos forçados.

O governo ugandês justificou o fechamento imediato da fronteira afirmando que a expansão do surto exige medidas excepcionais. Segundo autoridades de Kampala, apenas equipes médicas e operações humanitárias poderão cruzar a divisa, sob condições rígidas de controle sanitário. Quem retornar da RDC deverá cumprir isolamento obrigatório de 21 dias, período máximo de incubação do vírus. A medida inclui ainda a determinação de que emissoras dediquem parte de sua programação diária à prevenção da doença.

O diretor‑geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou a situação no leste da RDC como um "choque catastrófico entre doença e conflito". Ele afirmou que a contenção da transmissão depende de acesso humanitário contínuo, algo inviabilizado pelos combates recentes entre forças governamentais e o M23 nos Kivus. Os confrontos têm provocado deslocamentos massivos, empurrando pessoas potencialmente expostas ao vírus para campos superlotados, onde o risco de contágio aumenta.

Nos hospitais da região, como o de Rwampara, faltam recursos básicos para tratar pacientes e isolar casos suspeitos. Em áreas rurais, famílias transportam doentes em motocicletas, sem proteção adequada, o que amplia o risco de transmissão por fluidos corporais. Em um dos episódios mais graves, duas tendas de isolamento fornecidas por uma ONG foram incendiadas por jovens que tentavam recuperar o corpo de um amigo, ignorando o perigo de contágio.

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Pressão internacional e reação norte‑americana

Enquanto Uganda tenta conter a circulação do vírus em sua fronteira, os Estados Unidos adotam uma estratégia voltada à proteção de seu território. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou nesta quarta‑feira (27) que o país "não permitirá a entrada de um único caso de ebola", destacando que o governo trabalha para reforçar controles e impedir que pessoas infectadas desembarquem em aeroportos norte‑americanos. A declaração foi feita durante reunião ministerial na Casa Branca.

Washington estuda abrir no Quênia um centro de quarentena para norte‑americanos expostos ao vírus na RDC, evitando que retornem diretamente aos EUA antes de cumprir isolamento. Segundo fontes citadas pela imprensa local, a estrutura aguarda aprovação das autoridades quenianas, que ainda não registraram casos da doença. O objetivo é receber cidadãos que precisem deixar rapidamente a RDC e passar por observação médica sem realizar longos deslocamentos.

Um médico missionário norte‑americano infectado na RDC foi transferido para Berlim, onde está internado com a família, considerada contato próximo. O hospital informou que o paciente responde bem ao tratamento. Ele havia sido exposto ao vírus enquanto atendia doentes no hospital de Nyankunde, no leste congolês.

Os EUA também passaram a redirecionar todos os viajantes norte‑americanos que estiveram na RDC, em Uganda ou no Sudão do Sul nos últimos 21 dias para três aeroportos específicos - Washington, Atlanta e Houston - onde passam por triagem. Já residentes permanentes que tenham transitado por esses países estão proibidos de entrar no país por um período inicial de 30 dias.

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Com AFP

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