A União Europeia suspendeu a importação de carnes e produtos de origem animal do Brasil por descumprimento de normas sobre antimicrobianos e antibióticos. A restrição passa a valer nesta quinta-feira (3), após o país ficar de fora da lista de conformidade sanitária do bloco. Uma auditoria técnica está em andamento e, apesar do embargo, o Executivo europeu afirmou confiar no empenho e na colaboração das autoridades brasileiras para adequar os padrões e retomar as exportações o quanto antes.
Após confirmar a suspensão das importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil, o poder Executivo da União Europeia assegurou nesta terça-feira (1º) que "confia" no compromisso do país para resolver o problema "o quanto antes".
A proibição entrará em vigor na próxima quinta (3) e foi motivada pelo suposto descumprimento, por parte de produtores brasileiros, dos padrões sanitários exigidos pelo bloco, sobretudo em relação ao uso de antimicrobianos e antibióticos.
"Podemos confiar plenamente no Brasil e em seu compromisso de resolver essa questão, para que possamos retomar as importações o quanto antes", disse a principal porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho.
O Executivo da UE explicou que uma auditoria está em andamento em produtores de carne aviária e mel e deve ser concluída até o fim desta semana. "Mas não esperem resultados tão cedo, pois os especialistas precisarão de tempo para redigir as conclusões", acrescentou Eva Hrncirova, também porta-voz da Comissão Europeia, em seu briefing diário com a imprensa.
"Na quinta-feira, 3 de setembro, entrará em vigor a lista de países que respeitam nossas normas sobre antimicrobianos. Neste momento, o Brasil não está presente na relação porque não temos garantias de conformidade", declarou Hrncirova, acrescentando, por outro lado, que Bruxelas está "trabalhando em estreita colaboração com as autoridades brasileiras".
O Brasil foi incluído pela UE em uma lista de países que não respeitam as regras europeias sobre uso de antibióticos e antimicrobianos em animais em maio passado, poucos dias depois da entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre o bloco e o Mercosul.
As negociações para a assinatura do tratado se arrastaram por mais de 25 anos, sobretudo devido à resistência de produtores agropecuários da Europa e de países como França e Polônia.
A UE proíbe o uso de antimicrobianos para acelerar o crescimento do gado e restringe a utilização de antibióticos reservados à medicina humana, de modo e conter a resistência de pacientes a esses medicamentos.
O Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para a UE em 2025, com mais de 92 mil toneladas, totalizando US$ 825 milhões (R$ 4,3 bilhões).