Cooperação entre Itália e Brasil muda paradigma no combate ao crime organizado

Avaliação foi feita por consultor jurídico da Farnesina em evento em São Paulo

1 set 2026 - 08h44
(atualizado às 09h44)
Resumo
A cooperação entre Brasil e Itália transformou o enfrentamento ao crime organizado ao reforçar a troca de dados e a diplomacia jurídica, baseada em assistência técnica e harmonização de normas. Segundo o magistrado Giovanni Polcini, além das ações policiais, a estratégia foca no aspecto econômico, combatendo a infiltração criminosa por meio da transparência patrimonial e da fiscalização de contratos públicos para proteger a economia legal.

A cooperação entre Itália e Brasil no combate ao crime organizado "mudou o paradigma da atuação conjunta" entre os dois países, fortalecendo os vínculos entre as instituições judiciais e promovendo "uma cultura de maior confiança mútua e de intercâmbio de informações e dados".

A avaliação foi feita à ANSA por Giovanni Tartaglia Polcini, consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores da Itália e vice-diretor do El PAcCTO 2.0, programa da União Europeia voltado à cooperação entre Europa, América Latina e Caribe no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

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Polcini participou de uma conferência sobre segurança pública organizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo, na última segunda-feira (31).

"Alcançamos resultados significativos, para dizer o mínimo, e este é um exemplo que muitos outros países latino-americanos querem seguir", afirmou o magistrado.

Segundo ele, a chamada "diplomacia jurídica" se desenvolve principalmente em duas frentes principais: a "harmonização normativa" e a "assistência técnica".

As ações são realizadas por meio de programas europeus e italianos, como a iniciativa Falcone-Borsellino, destinados à capacitação de magistrados e forças policiais, ao fortalecimento institucional e à modernização das legislações de combate às organizações mafiosas.

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Para Polcini, entretanto, o enfrentamento ao crime organizado não pode se limitar à atuação policial e judicial. A dimensão econômica também é fundamental para impedir a infiltração de organizações criminosas na economia.

"Precisamos saber quem é o proprietário do quê", destacou, ao defender maior transparência sobre os beneficiários finais como uma ferramenta essencial contra a infiltração criminosa.

Entre as ações que, segundo o magistrado, precisam ser reforçadas estão as interdições administrativas antimáfia, a fiscalização de contratos e subcontratos públicos e as medidas preventivas relacionadas a patrimônio. "O objetivo é proteger a economia legal", concluiu. 

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