Ucrânia enfrenta crise humanitária após ataque massivo contra rede de energia sob frio intenso

Na madrugada desta terça-feira (3), a Rússia lançou o que foi descrito como o ataque mais potente de drones e mísseis contra o setor energético da Ucrânia desde o início do ano. A ofensiva, composta por 71 mísseis e 450 drones, visou deliberadamente a infraestrutura vital, deixando centenas de milhares de pessoas sem eletricidade e aquecimento em meio a um inverno rigoroso.

3 fev 2026 - 11h40

O impacto foi imediato e severo: em Kiev, moradores de mais de 1.100 edifícios residenciais acordaram sem calefação, enquanto as temperaturas na capital ficaram abaixo de -17°C.

A situação é ainda mais crítica em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, onde os termômetros atingiram -23°C e mais de 100 mil lares foram afetados pelo apagão e pela falta de serviços básicos. Segundo o ministro da Energia ucraniano, Denys Chmygal, famílias inteiras, incluindo crianças, foram privadas de aquecimento de forma deliberada.

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Para enfrentar a emergência, as autoridades locais orientaram a população a buscar os abrigos equipados com geradores onde é possível se aquecer e carregar dispositivos eletrônicos.

O novo bombardeio ocorreu logo após o fim de uma trégua de uma semana nos ataques a Kiev, que havia sido aceita pela Rússia a pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com validade até 1º de fevereiro.

O presidente Volodymyr Zelensky acusou o Kremlin de ter aproveitado esse intervalo apenas para acumular mísseis e aguardar os dias mais frios do ano para maximizar o sofrimento civil.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que as recentes ações russas não demonstram um interesse real na paz.

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Apoio militar e diplomático

No cenário internacional, a resposta ao colapso energético foi marcada por novos anúncios de ajuda militar e diplomática. A Suécia e a Dinamarca confirmaram o fornecimento de sistemas de defesa aérea TRIDON Mk2, avaliados em 2,6 bilhões de coroas (equivalente a cerca de R$ 1,45 bilhão), projetados especificamente para abater mísseis de cruzeiro e drones de longo alcance.

Simultaneamente, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, anunciou uma viagem a Kiev para discutir a organização de uma conferência global sobre a reconstrução da Ucrânia, prevista para junho.

Enquanto isso, representantes da Ucrânia e da Rússia devem se reunir nos Emirados Árabes Unidos para novos ciclos de negociações sob mediação americana, embora o cenário no terreno aponte para a pior crise energética desde o início da invasão em 2022.

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