François-Damien Bourgery e Marine de la Moissonnière, em Paris
Aos 70 anos, Javier Giraldo passa mais tempo na enfermaria do que em sua cela. Seu delicado estado de saúde, longe de melhorar, agravou-se após quatro anos e quatro meses de detenção. Seu maior medo é morrer na prisão. Mas a possibilidade de uma libertação volta a surgir. Na semana passada, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu uma lei de anistia geral "que cubra todo o período político desde 1999 até hoje".
Pressionado pelos Estados Unidos após o sequestro de Nicolás Maduro e de sua esposa, no dia 3 de janeiro, o regime chavista já havia se comprometido a libertar "um grande número" de presos políticos, embora nunca os tenha reconhecido como tais. Na prática, as libertações ocorrem de forma gradual: antes do anúncio de Delcy Rodríguez, a ONG especializada Foro Penal contabilizava 383 libertações desde dezembro, número muito inferior às mais de 800 anunciadas pelas autoridades. Até hoje, ainda permanecem encarceradas 687 pessoas. Entre elas, 59 estrangeiros e binacionais, a maioria colombianos. Javier Giraldo é um deles.
"Se declaram culpados para que parem de torturá-los"
No momento de sua detenção, esse pai de família residia na Venezuela. Cruzava frequentemente a fronteira para receber tratamento médico na Colômbia, até que alguém o denunciou em troca de dinheiro, e Javier Giraldo foi preso e condenado a 30 anos de reclusão. "Supostamente condenado", esclarece seu filho Joan, já que não existe nenhum registro dessa sentença. Como muitos outros, Javier Giraldo foi vítima de um simulacro de julgamento.
"As pessoas tendem a se declarar culpadas e a dizer o que são obrigadas a dizer para que cessem as torturas psicológicas e possam sair da prisão", denuncia seu filho à RFI. "Todos são acusados de traição à pátria, terrorismo, espionagem, incitação ao ódio… Crimes que o regime inventou para impedir que a população se rebele."
Privados de qualquer contato com seus advogados, esses presos políticos chegam a acompanhar seus julgamentos à distância. O resultado costuma ser o mesmo: condenações de várias décadas de prisão.
Além das torturas psicológicas, a maioria dos testemunhos relata dias inteiros sem ver a luz do sol, escassez de alimentos e ausência de contato com familiares. As condições de detenção variam de acordo com a nacionalidade do preso e o local de encarceramento. O Foro Penal identificou 160 centros penitenciários em todo o país.
O mais emblemático é a prisão do Helicoide, um antigo centro comercial de Caracas convertido em sede do serviço nacional de inteligência. No entanto, segundo Alfredo Romero, diretor do Foro Penal, o pior de todos é El Rodeo I. Situado no estado de Miranda, é administrado desde 2024 pela Direção-Geral de Contrainteligência Militar.
"Todos os que saíram de lá, inclusive aqueles que passaram pelo Helicoide, o descrevem como o inferno. Relatam tratamentos cruéis, torturas… Lá se castiga absolutamente tudo", explica. Ele próprio pôde acessar o recinto: lembra-se dos guardas com o rosto coberto e da bolsa preta colocada em sua cabeça ao entrar. "Tudo é projetado para tornar o local ainda mais aterrorizante do que já é."
Presos utilizados como moeda de troca
Frequentes no passado, as detenções arbitrárias tornaram-se sistemáticas após a polêmica reeleição de Nicolás Maduro, em 28 de julho de 2024. O mesmo ocorreu com as detenções de estrangeiros, que o regime utiliza como moeda de troca. É o caso de Lucas Hunter. Esse franco-americano foi preso em 7 de janeiro de 2025, enquanto estava de férias na Colômbia, após se aproximar demais da fronteira venezuelana.
Durante seis meses, sua família não recebeu nenhuma prova de vida. Imersa na angústia, teve ainda que enfrentar a frieza da burocracia francesa. "Tive de batalhar a cada passo", denuncia sua irmã Sophie. Ela relata trocas muito tensas com o consulado em Caracas, descreve uma cônsul-geral em Washington pouco familiarizada com o caso e lamenta a ausência de qualquer gesto do ministro das Relações Exteriores ou de sua equipe em relação à sua mãe. "O governo francês trata as detenções arbitrárias como um assunto administrativo, com uma falta de humanidade que me deixou perplexa", afirma. Contactado pela RFI, o ministério francês das Relações Exteriores não comentou.
Lucas Hunter foi finalmente libertado seis meses depois, em 19 de julho, no âmbito de uma troca de prisioneiros: dezenas de migrantes venezuelanos encarcerados em El Salvador em troca de dez detidos americanos e 80 presos políticos. O jovem passou inicialmente duas semanas em uma base militar dos Estados Unidos, onde recebeu acompanhamento psicológico, um programa geralmente destinado a soldados que retornam de zonas de conflito.
O retorno à França foi difícil. Negaram-lhe acesso ao hospital militar Bégin, e o ministério das Relações Exteriores sequer conseguiu fornecer uma lista de psicólogos especializados em transtorno de estresse pós-traumático. "Ele ficou profundamente chocado ao se sentir abandonado e ao perceber que era sua família que tinha que cuidar de tudo", relata Sophie Hunter. Assim, uma vez em liberdade, começa para os presos políticos outra batalha: a da reconstrução.