A Diocese de Roma admitiu nesta terça-feira (3) que o afresco restaurado com um rosto semelhante ao da premiê da Itália, Giorgia Meloni, não era assim em seu formato original.
A informação desmente declarações do responsável pela restauração, Bruno Valentinetti, que alegou ter utilizado os mesmos desenhos de quando a pintura foi criada por ele, há 25 anos.
"Certamente o original não era assim", disse o padre Giulio Albanese, responsável pela comunicação do Vicariato de Roma, um dos braços da diocese da capital italiana, que tem como bispo ninguém menos que o papa Leão XIV.
O afresco fica na Basílica de San Lorenzo in Lucina, a 400 metros da sede do governo italiano, e retrata uma figura alada segurando um pergaminho com o mapa da península, ao lado de um busto do último rei do país, Umberto II.
Em meio a críticas da oposição, que denunciou um possível uso de um bem cultural para fazer propaganda política, o Ministério da Cultura prometeu realizar uma inspeção na igreja, enquanto a Diocese de Roma abriu uma investigação interna sobre os procedimentos ligados à restauração. "Mas nenhuma decisão foi tomada ainda", disse Albanese.
Segundo o padre, Valentinetti foi instruído de forma clara a respeitar o desenho original do querubim, que "era muito diferente".
Questionado sobre o assunto no último sábado (31), o restaurador autodidata negou qualquer semelhança com Meloni nas feições da figura e assegurou que a intervenção deixou o afresco como ele era originalmente. "Tive de usar os mesmos desenhos e cores de 25 anos atrás", declarou Valentinetti, definindo as polêmicas como "invenções".
A premiê, por sua vez, fez piada com o caso no Instagram. "Não, definitivamente eu não pareço com um anjo", escreveu Meloni ao publicar uma imagem da obra de arte.