A dias das eleições de meio de mandato que definirão o controle do Congresso, o governo Trump intensifica ações judiciais contra Estados como Alasca e Califórnia para intervir nos pleitos locais. A manobra extraordinária visa contestar possíveis derrotas republicanas decisivas para o equilíbrio de poder. Enquanto isso, democratas buscam a maioria para abrir investigações sobre o presidente, que reduziu viagens presenciais e aposta em eventos virtuais na reta final de uma votação já expressiva.
O governo de Donald Trump está intensificando as ações judiciais contra Estados norte-americanos a poucos dias das eleições de meio de mandato que decidirão o equilíbrio de poder em Washington durante seus dois últimos anos no cargo.
No Alasca, o Departamento de Justiça apresentou na quinta-feira uma ação judicial revisada com o objetivo de impedir a certificação dos resultados caso haja uma derrota apertada dos republicanos em uma disputa pelo Senado de enorme importância, citando uma reportagem do New York Times segundo a qual membros do Partido Democrata recrutaram um candidato de nome parecido para desviar votos do candidato republicano em exercício.
Na Califórnia, por sua vez, o Departamento de Justiça está intensificando sua campanha de pressão contra autoridades eleitorais estaduais, emitindo intimações como parte de uma investigação criminal sobre supostos votos de não cidadãos, de acordo com cópias de documentos analisados pela Reuters.
Essas medidas, em conjunto, representam uma intervenção federal extraordinária nas eleições estaduais, que são administradas localmente de acordo com a Constituição dos EUA. À medida que o dia 3 de novembro se aproxima, autoridades eleitorais de todo o país disseram à Reuters que estão se preparando para novos desafios jurídicos vindos de Washington.
A disputa no Alasca, palco de uma das cerca de dez disputas acirradas pelo Senado, pode deixar o controle da Casa indefinido por semanas. Os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras para reconquistar a maioria dos republicanos.
Se os democratas conquistarem uma ou ambas as câmaras do Congresso, poderão iniciar investigações sobre o governo de Trump e aumentar a pressão sobre o presidente para que ponha fim à guerra no Irã.
TRUMP REDUZ VIAGENS
Na sexta-feira, Trump fará campanha na Flórida, na esperança de mobilizar seus apoiadores em um Estado que venceu com facilidade em 2024, mas onde a votação antecipada tem se inclinado para os democratas.
Essa será sua última parada em um Estado onde os republicanos geralmente esperam vencer, após eventos de campanha no início desta semana no Mississippi e na Carolina do Sul.
O presidente cancelou comícios planejados para o fim de semana no Kansas e em Iowa e, em vez disso, participará de cerca de 20 eventos virtuais de campanha até terça-feira, de acordo com o Comitê Nacional Republicano.
A ex-vice-presidente Kamala Harris, que Trump derrotou nas eleições de 2024, fará um comício pelos democratas em Atlanta na sexta-feira.
"O último ano e meio tem sido difícil", disse ela à multidão na quinta-feira, em um evento em Macon, na Geórgia. "Agora estamos na fase em que podemos fazer muita coisa."
Mais de 44 milhões de norte-americanos já haviam votado até a noite de quinta-feira, segundo o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida, menos de dois milhões a menos que o total das eleições de meio de mandato de 2022.