Trump falará com presidente de Taiwan em novo desafio às relações EUA-China

20 mai 2026 - 15h57

O ‌presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que falará com o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, uma atitude sem precedentes para um líder dos EUA que poderia abalar as relações dos EUA com a China.

Os presidentes dos EUA e de Taiwan não se falam diretamente desde que Washington transferiu o reconhecimento diplomático de Taipé para Pequim, em 1979.

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Pequim nunca renunciou ao ⁠uso da força para assumir o controle da ilha governada democraticamente. Ela tem se irritado ‌com o apoio militar de longa data dos EUA a Taiwan para impedir a ação militar chinesa.

"Falarei com ele", disse Trump aos repórteres na Base Conjunta Andrews, em Maryland, antes ‌de embarcar no Air Force One, quando perguntado sobre Lai. "Falo ‌com todo mundo... Vamos trabalhar nisso, no problema de Taiwan."

É a segunda vez em ⁠uma semana que Trump diz que pretende falar com Lai, dissipando a especulação inicial de que sua primeira menção ao assunto após o encontro com o líder chinês, Xi Jinping, na semana passada foi um deslize verbal.

Uma ligação entre os líderes ainda não havia sido agendada, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.

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A Casa Branca não respondeu imediatamente a um ‌pedido de comentário sobre quando essa ligação poderia ocorrer ou o que seria discutido. A embaixada da ‌China em Washington também não ⁠respondeu imediatamente a um ⁠pedido de comentário.

RELACIONAMENTO "INCRÍVEL" COM XI

Autoridades do governo Trump observaram que Trump aprovou a venda de mais armas ⁠para Taiwan do que qualquer outro presidente dos EUA.

Mas ‌ele também tem repetidamente elogiado ‌seu relacionamento com Xi como "incrível".

Após a viagem da semana passada a Pequim, Trump disse que ainda não decidiu se vai prosseguir com uma grande venda de armas no valor de até US$14 bilhões para Taiwan, aumentando a incerteza sobre o apoio dos EUA ⁠à ilha.

Qualquer conversa direta entre os EUA e Taiwan normalmente irritaria a China, que vê a ilha como seu próprio território.

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No entanto, a linguagem de Trump tem enviado sinais contraditórios a Taipé. Embora Lai tenha recebido com satisfação a chance de falar com Trump, a referência do presidente dos EUA ao "problema de Taiwan" ‌ecoa a fraseologia de Pequim.

Lai, que é visto por Pequim como separatista, disse nesta quarta-feira que, se tivesse a oportunidade de falar com Trump, ele diria que seu governo está ⁠comprometido com a manutenção do status quo no Estreito de Taiwan e que era a China que estava prejudicando a paz com seu maciço aumento militar no Indo-Pacífico.

"Nenhum país tem o direito de anexar Taiwan. O povo de Taiwan busca um modo de vida democrático e livre, e a democracia e a liberdade não devem ser consideradas como provocação", disse Lai.

De acordo com a legislação norte-americana, os EUA são obrigados a fornecer a Taiwan os meios para se defender, e tanto os parlamentares republicanos quanto os democratas pediram ao governo Trump que continuasse com a venda de armas.

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Ressaltando a importância estratégica de Taiwan para os EUA, a ilha de 23 milhões de habitantes é o quarto maior parceiro comercial dos EUA, atrás da China, que tem 1,4 bilhão de habitantes. Grande parte desse comércio se baseia em exportações para os EUA de semicondutores avançados, que alimentam a economia global.

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