Trump exige cessar-fogo entre Irã e Israel e lamenta 'ignorância e estupidez' que freiam acordo

O presidente americano Donald Trump pediu nesta segunda-feira (8) que Irã e Israel interrompam os disparos "imediatamente", após a retomada dos ataques diretos entre os dois países. Segundo o presidente americano, o processo de negociações para pôr fim ao conflito está sendo freado por "ignorância ou estupidez".

8 jun 2026 - 10h48

Trump afirma que Irã e Israel esperam concluir um cessar-fogo imediato, apesar dos novos ataques. "As negociações finais para a paz continuam, desde que a ignorância ou a estupidez não se oponham a isso", acrescentou o presidente americano em sua rede Truth Social. "O bloqueio permanecerá em vigor, com toda a sua força e efeito, até que um acordo final seja concluído. As coisas devem avançar rapidamente", declarou, em menção ao bloqueio do país dos portos iranianos. 

O presidente americano busca uma saída para o conflito, que se torna cada vez mais impopular nos Estados Unidos, às vésperas das eleições de meio de mandato. Em conversa com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu neste domingo (7), Trump pediu que Israel evitasse atacar o Irã.

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Segundo um responsável israelense citado pelo Channel 12 nesta segunda, Israel interrompeu seus ataques contra o Irã a pedido de Trump. Ele acrescentou que, se o Hezbollah continuar atacando cidades israelenses, Israel atingirá os subúrbios do sul de Beirute e a ofensiva no sul do Líbano devem se intensificar nos próximos dias.

O comando das forças armadas iranianas também anunciou nesta segunda, em comunicado, a suspensão dos ataques contra Israel, iniciados no domingo (7). O Irã "infligiu uma resposta firme" a Israel após o bombardeio do subúrbio sul de Beirute, diz o texto. "Como consequência, anunciamos o fim da operação."

O Irã permanece "à mesa de negociações", afirmou seu presidente após o anúncio. Ele alertou que os ataques podem ser retomados. "A defesa e a diplomacia são os dois pilares do poder nacional. Não deixamos nem o campo de batalha nem a mesa de negociações", escreveu no X Massoud Pezeshkian.

Agricultores resfriam área atingida por destroços de míssil perto de Najha, na Síria, após ataques no conflito entre Irã e Israel.
Agricultores resfriam área atingida por destroços de míssil perto de Najha, na Síria, após ataques no conflito entre Irã e Israel.
Foto: RFI

Desde domingo, o Irã disparou cerca de 30 mísseis contra Israel em resposta a um ataque israelense contra o sul de Beirute, reduto do Hezbollah pró-Irã. Duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas na operação. Em Israel, escolas foram fechadas e o transporte público foi afetado depois do ataque. Perto de Jericó, na Cisjordânia ocupada, um fotógrafo da AFP viu um míssil cravado no solo em uma colina desértica.

Em Teerã, uma forte explosão fez sacudir o prédio do Ministério das Relações Exteriores, onde ele participava de uma coletiva. Segundo a agência iraniana Mehr, o drone "pertencia ao inimigo americano-sionista" e foi abatido.

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O espaço aéreo no oeste do Irã foi fechado, e os voos dos dois aeroportos da capital foram suspensos. Alguns moradores permaneceram em casa, e outros tomaram precauções, formando filas para abastecer seus veículos.

Horas antes, a televisão estatal iraniana havia relatado explosões em Teerã, Tabriz, no noroeste, e Isfahan, no centro. Uma fábrica petroquímica em Mahshahr, no sudoeste, foi danificada, e os funcionários foram retirados, segundo a imprensa iraniana.

Os rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, também reivindicaram um ataque contra Israel e anunciaram a proibição da navegação israelense no mar Vermelho, outra rota marítima estratégica.

Em resposta, o Irã afirmou ter lançado ataques contra um complexo petroquímico israelense. Israel afirmou, por sua vez, ter atingido e destruído sistemas de defesa no Irã. "Nenhum país que se respeite toleraria tal ataque", comentou no X o embaixador israelense nos Estados Unidos, Yechiel Leiter. O Oriente Médio "não precisa de uma escalada", lamentou a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, enquanto a China demonstrou preocupação.

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