Trump e presidente da Colômbia têm reunião cordial na Casa Branca após meses de desentendimentos

3 fev 2026 - 21h01

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Colômbia, Gustavo Petro, indicaram nesta terça-feira que tiveram uma reunião cordial em seu primeiro encontro cara a cara, desafiando os temores de alguns analistas e assessores que questionavam se os dois se dariam bem, dadas suas ideologias conflitantes e reputação ‌de imprevisibilidade.

Petro chegou à Casa Branca sem a pompa pública concedida a alguns líderes estrangeiros, e nenhuma mídia foi autorizada a participar da reunião de aproximadamente duas horas. Em declarações ‌separadas após o encontro, nenhum dos líderes afirmou claramente que eles chegaram a acordos concretos.

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Questionado pelos repórteres no final da tarde se eles haviam chegado a um acordo para combater o fluxo de narcóticos provenientes da Colômbia, Trump disse que os dois líderes estavam trabalhando nisso.

"Trabalhamos nisso e nos demos muito bem. Ele e eu não éramos exatamente os melhores amigos, mas não me senti ofendido porque nunca o conheci. Eu não o conhecia de forma alguma."

Após a reunião, Petro postou uma foto no X com uma nota ‍aparentemente escrita à mão por Trump com as palavras: "Gustavo - Uma grande honra - Eu amo a Colômbia." Também continha uma fotografia dos dois líderes apertando as mãos e sorrindo.

"O que eu percebi ou vi na imprensa e nas redes sociais que parecia contraditório com minhas ideias, eu não vi lá. Acho que isso era mais com outras autoridades do que com ele", disse Petro em entrevista à rádio colombiana Caracol.

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Petro disse que pediu a Trump para ajudar a capturar ‌grandes traficantes de drogas que vivem fora da Colômbia.

"Mostrei a ele os nomes verdadeiros e os apelidos dos chefes que ‌dominam os chefes na Colômbia e que vivem no exterior, inclusive nos Estados Unidos."

Petro também disse que pediu ao presidente dos EUA para mediar uma disputa diplomática entre a Colômbia e o vizinho Equador, cujo presidente, Daniel Noboa, é um aliado ferrenho de Trump.

LÍDERES CRITICARAM UM AO OUTRO

Trump, que tem manifestado o desejo de ver os Estados Unidos dominarem toda a América Latina, teve nos últimos meses uma relação instável com Petro, um ex-guerrilheiro anti-imperialista que foi eleito presidente da Colômbia em 2022.

Em outubro, Trump chamou Petro de "líder do tráfico ilegal de drogas", embora não tenha apresentado provas, e em janeiro, ele cogitou uma ação militar contra o país aliado de longa data, que acusou de não controlar o tráfico de drogas.

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Petro tem criticado duramente Trump. Ele disse que os ataques mortais do governo Trump a supostos barcos de drogas equivalem a crimes de guerra e descreveu a operação dos EUA no mês passado para depor o líder venezuelano Nicolás Maduro como um "sequestro".

Em janeiro, os dois líderes mantiveram uma conversa telefônica que ambos descreveram como positiva, um surpreendente descongelamento que resultou no convite de Petro para Washington. Trump disse aos repórteres na segunda-feira que o tom de Petro havia mudado recentemente, dando a entender que ele havia se tornado mais complacente após o ataque contra Maduro.

Na reunião desta terça-feira, autoridades colombianas planejaram fazer uma apresentação detalhada sobre suas principais conquistas no combate às drogas, incluindo números sobre apreensões de cocaína, de acordo com três fontes com conhecimento do assunto.

Em uma foto divulgada pela Casa Branca, um assessor de Petro pode ser visto segurando um panfleto com os dizeres: "COLÔMBIA: o aliado número 1 dos Estados Unidos contra os narcoterroristas".

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Trump disse aos repórteres que os dois líderes estavam trabalhando em sanções, sem dar mais detalhes. O próprio Petro está sob sanções dos EUA — emitidas pelo governo Trump em outubro — por supostas ‌ligações não comprovadas com o tráfico de drogas, o que Petro nega.

A Colômbia é o maior produtor mundial de coca, o principal ingrediente da cocaína, e várias organizações terroristas designadas pelos EUA estão presentes no país.

Mas também tem sido um dos aliados mais fiéis de Washington na região, trabalhando em estreita colaboração com sucessivos governos para reprimir o fluxo de drogas para o norte.

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