Trump diz que EUA vão pausar operação de escolta de navios no estreito de Ormuz

Projeto Liberdade, que começou há menos de 48 horas, será interrompido porque houve progresso em direção a um acordo com o Irã, disse o presidente dos EUA.

5 mai 2026 - 21h51
(atualizado às 23h11)
Presidente dos EUA, Donald Trump
Presidente dos EUA, Donald Trump
Foto: DANIEL HEUER/POOL/EPA/Shutterstock / BBC News Brasil

O presidente Donald Trump afirmou que a operação dos Estados Unidos para guiar navios retidos no Estreito de Ormuz será pausada por um "curto período de tempo".

Trump disse que o "Projeto Liberdade", iniciado na segunda-feira (4/5), será suspenso por "acordo mútuo", porque houve "grande progresso" rumo a um acordo com o Irã.

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A mídia estatal iraniana caracterizou o anúncio como uma vitória, dizendo que a pausa demonstra que Trump "recuou" após "fracassos contínuos" em seus esforços para reabrir essa via marítima vital para o comércio global.

O anúncio do presidente dos EUA veio após o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciar que a ofensiva inicial conjunta entre EUA e Israel no Irã — chamada Operação Epic Fury — havia terminado após atingir seus objetivos.

"Preferimos o caminho da paz. O que o presidente [Donald Trump] prefere é um acordo", disse Rubio a repórteres nesta terça-feira (5/5).

As declarações aconteceram depois de um dia tenso, com uma série de ataques no Estreito de Ormuz, o que fez aumentar os temores de que o cessar-fogo entre os EUA e o Irã estivesse em risco.

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Os EUA haviam dito que pretendem orientar navios retidos a sair do Golfo através da via marítima, que permanece em grande parte fechada.

Teerã não comentou a fala de Rubio, mas o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, afirmou mais cedo: "Sabemos bem que a manutenção do status quo é intolerável para os Estados Unidos, enquanto nós estamos apenas começando".

Ghalibaf, principal negociador do Irã nas negociações do mês passado com os EUA, disse que "a segurança da navegação e o transporte de energia foram colocados em risco pelos Estados Unidos e seus aliados com as violações do cessar-fogo e o bloqueio. No entanto, seus atos malignos fracassarão".

O controle do Estreito de Ormuz tornou-se a questão central do conflito entre EUA e Irã
Foto: Reuters / BBC News Brasil

No fim da terça-feira, o UK Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que uma fonte verificada relatou que um navio de carga foi atingido por "um projétil desconhecido" no Estreito de Ormuz. Mais detalhes não estavam imediatamente disponíveis.

Mais cedo no dia, os Emirados Árabes Unidos disseram que suas defesas aéreas estavam interceptando mísseis e drones do Irã pelo segundo dia consecutivo. Na segunda-feira, o país acusou o Irã de lançar mísseis e drones, incluindo um ataque a um porto petrolífero no emirado de Fujairah — localizado fora do Estreito de Ormuz — classificando o episódio como uma "escalada perigosa".

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O Irã negou na terça-feira ter realizado quaisquer ataques contra os Emirados Árabes Unidos, com um porta-voz militar afirmando que "se tal ação tivesse ocorrido, nós a teríamos anunciado de forma firme e clara".

A Operação Epic Fury começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques aéreos contra o Irã. Teerã respondeu bloqueando essa via marítima crucial, por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.

No início de abril, os EUA e o Irã anunciaram um cessar-fogo.

O Irã interrompeu ataques com drones e mísseis contra países do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos, mas poucas embarcações conseguiram atravessar o estreito desde então. Os EUA também impuseram seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

Nesta segunda-feira, os EUA disseram ter atacado sete lanchas rápidas iranianas no estreito, enquanto o Irã afirmou ter disparado tiros contra uma embarcação americana. Ambos os lados negaram as respectivas alegações.

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Dois navios comerciais relataram ataques, e um disse ter conseguido sair do estreito sob escolta militar dos EUA, como parte do plano de Donald Trump para desbloquear a passagem.

Falando na Casa Branca, Rubio afirmou que, embora Trump queira um acordo, "esse não tem sido, até agora, o caminho escolhido pelo Irã".

Ele disse que os ataques dos EUA e de Israel ao Irã causaram "uma destruição geracional na economia deles" e que os líderes do país deveriam "se controlar antes de causar a própria ruína no rumo que estão seguindo".

Já o secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que o cessar-fogo com o Irã "não acabou".

"No momento, o cessar-fogo certamente se mantém, mas vamos acompanhar muito, muito de perto", afirmou Hegseth em uma coletiva de imprensa também nesta terça-feira.

Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse que, embora o Irã tenha atacado forças dos EUA dez vezes desde o início do cessar-fogo, esses ataques ficaram "abaixo do limite" para a retomada dos combates "neste momento".

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Trump foi posteriormente questionado por repórteres sobre o que constituiria uma violação do cessar-fogo por parte do Irã.

"Vocês vão descobrir, porque eu vou avisar", respondeu.

Ele também disse acreditar que um acordo negociado com o Irã para encerrar o conflito ainda é possível.

As diversas declarações de autoridades americanas sugerem que os EUA têm pouca disposição ou interesse em retomar operações em grande escala, o que poderia desestabilizar ainda mais os mercados, fazer os preços dispararem e ser impopular entre amplos setores da população americana.

Trump também afirmou que está em conversas com o Japão sobre a reabertura do estreito e que espera ter uma conversa positiva com o presidente chinês, Xi Jinping, sobre o tema quando visitar a China na próxima semana.

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