O papa Leão XIV rebateu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira, 5, um dia após o líder americano afirmar que o chefe da Igreja Católica estaria colocando seus seguidores em perigo ao supostamente não condenar o programa nuclear do Irã.
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O pontífice respondeu dizendo que a Igreja se posiciona há anos contra armas nucleares e afirmou que sua missão é “pregar o Evangelho e a paz”. “Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, que o faça com a verdade”, rebateu Leão XIV.
O líder católico, no entanto, afirmou que a legítima defesa sempre foi permitida pela Igreja, ao comentar o direito do Irã de se defender.
“Falar sobre guerra justa hoje é algo muito complexo. É preciso analisar a situação em muitos níveis. Desde a entrada na Era Nuclear, todo o conceito de guerra precisou ser reavaliado pelos exércitos”, declarou.
O papa também criticou o uso de recursos para fins bélicos e defendeu que o dinheiro seja direcionado para questões humanitárias.
“Eu sempre acredito que é muito melhor apostar no diálogo do que buscar exércitos para apoiar a indústria bélica, que ganha bilhões e bilhões todos os anos, em vez de sentar à mesa para resolver nossos problemas e usar o dinheiro para enfrentar questões humanitárias, como a fome no mundo”, concluiu.
Na segunda-feira, 4, Trump criticou Leão XIV por supostamente não condenar o programa nuclear iraniano. “O papa preferiria falar sobre o fato de ser ‘ok’ o Irã ter uma arma nuclear. Eu não acho que isso seja bom. Acho que ele está colocando os católicos em perigo”, afirmou.
A declaração foi dada após o apresentador americano Hugh Hewitt, da emissora Salem News, questionar Trump sobre o silêncio do papa em relação à prisão de um ativista chinês pró-democracia e à repressão promovida pelo governo chinês.
Em resposta, Trump afirmou que o pontífice estaria mais preocupado em tratar como aceitável a possibilidade de o Irã possuir armas nucleares do que em comentar a repressão na China.