O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, classificou nesta terça-feira a resolução da ONU proposta pelos EUA — exigindo que o Irã pare de atacar e colocar minas no Estreito de Ormuz — como um teste para a utilidade da Organização das Nações Unidas, e pediu à China e à Rússia que não repitam os vetos.
Os membros do Conselho de Segurança da ONU iniciaram, nesta terça-feira, conversações a portas fechadas sobre um texto redigido pelos EUA em conjunto com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuweit e o Catar, que, se aprovado, poderia levar a sanções contra o Irã e, potencialmente, autorizar a força, se Teerã não interromper os ataques e as ameaças à navegação comercial.
As novas trocas de tiros da segunda-feira ressaltaram o que estava em jogo na luta entre os EUA e o Irã pelo controle da estreita via navegável, uma artéria vital para a energia e o comércio globais, abalando uma trégua frágil de quatro semanas e reforçando os bloqueios marítimos rivais.
Uma resolução anterior do Barein, que foi apoiada pelos Estados Unidos e parecia abrir um caminho para legitimar a ação militar dos EUA contra o Irã, fracassou no mês passado depois que a Rússia e a China exerceram seus vetos no Conselho de Segurança de 15 membros.
O novo esboço evita a linguagem explícita que autoriza a força enquanto ainda opera sob o Capítulo 7 da Carta da ONU, que permite que o Conselho de Segurança imponha medidas que variam de sanções a ações militares.
"Ninguém gostaria que isso fosse vetado novamente, e fizemos alguns pequenos ajustes na linguagem", disse Rubio aos repórteres em uma coletiva de imprensa na Casa Branca, acrescentando: "Não sei se isso evitará um veto ou não."
"Acho que é um verdadeiro teste para a ONU... como algo que funciona", acrescentou.
Uma minuta da resolução vista pela Reuters condena as supostas violações do atual cessar-fogo por parte do Irã e suas "ações e ameaças contínuas com o objetivo de fechar, obstruir e cobrar pedágios" pela liberdade de navegação pelo estreito.
O documento exige que o Irã cesse imediatamente os ataques, revele a localização de quaisquer minas e não impeça as operações de remoção.
"Tudo o que pedimos a eles é que condenem o ataque, que peçam ao Irã que pare de explodir navios, que remova essas minas e que permita a passagem de ajuda humanitária", disse Rubio.
"Tanto para os chineses quanto para os russos, eu... argumentei que é do interesse deles que essa resolução seja aprovada e que seja exercida pressão sobre o Irã, porque é do interesse deles não ver as vias navegáveis internacionais, especialmente o Estreito de Ormuz, serem fechadas e causarem caos econômico a dezenas e dezenas de países em todo o mundo."
O esboço também pede que Teerã coopere com os esforços da ONU para estabelecer um corredor humanitário através do estreito, citando a interrupção das entregas de ajuda, remessas de fertilizantes e outros bens essenciais.
O secretário-geral da ONU apresentaria um relatório dentro de 30 dias sobre a conformidade e o Conselho de Segurança se reuniria novamente para considerar medidas adicionais, incluindo possíveis sanções, caso o Irã não implementasse a resolução.
CHINA DIZ AVALIAR TEXTO
Diplomatas disseram que Washington espera encerrar as negociações rapidamente, com o objetivo de circular um rascunho final até sexta-feira e realizar uma votação no início da próxima semana, embora a Rússia e a China ainda tenham um texto concorrente em consideração.
Questionada se a resolução poderia evitar outro veto chinês, a missão da China na ONU disse: "A minuta foi divulgada ontem à tarde. Ainda estamos fazendo nossa avaliação."
A missão da Rússia na ONU não respondeu imediatamente.
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, disse que não lhe cabia comentar sobre minutas, mas acrescentou em um briefing regular: "Obviamente, queremos ver essa hidrovia internacional aberta, aberta com segurança, e uma restauração da liberdade de navegação que é tão importante para o mundo."
A escalada de segunda-feira, na qual os EUA disseram ter destruído seis pequenas embarcações iranianas e que mísseis iranianos atingiram um porto de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, seguiu-se ao lançamento do "Projeto Liberdade" de Washington, um esforço liderado pelos EUA para transportar navios-tanque e outras embarcações retidas através do estreito.
Washington também circulou uma proposta, vista pela Reuters, aos parceiros para uma nova coalizão marítima multinacional, a Estrutura para a Liberdade Marítima (MFC, na sigla em inglês), com o objetivo de estabelecer uma arquitetura de segurança pós-conflito para o Oriente Médio e reabrir o estreito assim que as condições se estabilizarem.
A MFC trabalharia com uma missão marítima franco-britânica separada, envolvendo cerca de 30 países, que busca estabelecer as bases para o trânsito seguro pelo estreito quando a situação se estabilizar ou o conflito for resolvido, com a coordenação do Irã.
Alguns países sinalizaram que qualquer missão precisaria de um mandato da ONU antes de enviar recursos militares.
"A MFC é complementar a outras forças-tarefa de segurança marítima, incluindo o esforço de planejamento marítimo que o Reino Unido e a França estão liderando", de acordo com um documento diplomático informal enviado aos governos e visto pela Reuters.
"A MFC permanecerá estruturalmente independente, embora uma coordenação estreita seja essencial para alcançar a arquitetura de segurança marítima mais forte possível."