Trump diz que Cuba está em 'situação difícil' e EUA farão 'algo em breve'

Ilha vive colapso energético após bloqueio feito pelo governo norte-americano

17 mar 2026 - 14h55
(atualizado às 14h59)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (17) que Cuba está em uma situação difícil e seu governo poderá anunciar em breve medidas relacionadas ao país.

Em declaração à imprensa no Salão Oval, na Casa Branca, o republicano revelou que o governo cubano está conversando com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

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"Cuba está em uma situação difícil, eles estão conversando com Marco. Faremos algo com Cuba muito em breve", ressaltou.

A declaração foi feita um dia após o colapso da rede elétrica nacional do país, segundo a operadora do sistema elétrico. O blecaute deixou cerca de 10 milhões de pessoas sem energia, em meio ao bloqueio de petróleo imposto pelos EUA e a uma grave crise econômica.

Inclusive, o governo cubano anunciou novas medidas para ampliar a participação de cubanos residentes no exterior na economia nacional, incluindo a possibilidade de abertura de contas em moeda estrangeira em bancos locais.

A proposta - vista como mais uma confirmação das negociações em andamento com os Estados Unidos - foi apresentada pelo vice-premiê e ministro do Comércio Exterior e Investimento de Cuba, Oscar Pérez-Oliva Fraga, durante um discurso na TV.

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A iniciativa faz parte de um pacote mais amplo de medidas destinadas a integrar os expatriados em diversos setores da economia. Por exemplo, ontem, foi anunciada a possibilidade de cubanos residentes no exterior participarem como sócios ou proprietários de empresas privadas na ilha.

As medidas do governo ocorrem em meio a uma profunda crise econômica, caracterizada por escassez de liquidez, restrições a saques bancários e uma persistente falta de recursos no sistema financeiro cubano.

Nos últimos anos, muitos cidadãos têm encontrado dificuldades para acessar seus depósitos, tanto em pesos cubanos quanto em moeda estrangeira, o que gerou desconfiança no sistema bancário.

Entretanto, Rubio criticou as reformas econômicas anunciadas para atrair investimentos estrangeiros, classificando-as como insuficientes. "Elas não são significativas o suficiente", disse.

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Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, o atual sistema político e a economia de Cuba enfrentam problemas estruturais e não podem ser corrigidos com medidas parciais.

Além disso, o jornal The New York Times informou que, durante as negociações entre EUA e Cuba sobre o futuro da ilha, autoridades do governo Trump teriam pedido pela remoção do presidente do país, Miguel Díaz-Canel, do poder.

Citando quatro fontes anônimas familiarizadas com as conversas, a publicação contou que Washington busca derrubar o presidente cubano, porque isso "permitiria mudanças econômicas estruturais em um país que Díaz-Canel, considerado um linha-dura por autoridades de Trump, provavelmente não apoiaria".

Enquanto isso, a Rússia demonstrou preocupação com o aumento das tensões envolvendo a ilha caribenha. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores russo denunciou a "crescente pressão externa" sobre Cuba e garantiu que Moscou continuará oferecendo apoio, inclusive material.

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O texto elogia a resiliência do povo cubano e reafirma a confiança de que o país conseguirá preservar sua soberania diante de desafios externos. "Estamos confiantes de que o heroico povo cubano, que demonstrou repetidamente sua dedicação aos ideais de liberdade, independência e justiça social, bem como resiliência e coragem incomparáveis diante de ameaças externas, será capaz de defender seu direito inalienável à soberania e escolher seu próprio caminho de desenvolvimento", afirmou a pasta.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reforçou a posição russa e declarou que o país está pronto para fornecer "toda a assistência possível" a Cuba. Segundo ele, Moscou mantém contato constante com a liderança cubana e acompanha de perto a situação econômica da ilha, agravada pelo embargo imposto pelos Estados Unidos.

"Cuba é um Estado soberano independente que enfrenta graves dificuldades econômicas devido ao sufocante embargo imposto ao país. Estamos prontos para fornecer toda a assistência possível", enfatizou Peskov. 

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