Trump diz à Noruega que não sente mais obrigação de pensar apenas na paz

19 jan 2026 - 08h53

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em uma mensagem escrita ao primeiro-ministro da Noruega, que não se sente mais obrigado a "pensar puramente na paz" por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, ‌e reiterou sua exigência de controle da Groenlândia.

A mensagem, amplamente compartilhada com outras nações pelo governo dos EUA, ‌foi uma resposta a uma breve mensagem enviada a Trump pelo primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Stoere, e pelo presidente finlandês, Alexander Stubb, opondo-se à sua decisão de impor tarifas a aliados europeus pela recusa em permitir que os EUA assumam o controle da Groenlândia, afirmou Stoere em um comunicado.

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Em sua mensagem, Stoere ‍e Stubb apontaram para a necessidade de reduzir a tensão e solicitaram uma conversa telefônica com Trump, segundo comunicado do premiê norueguês. A resposta de Trump veio pouco tempo depois do envio da mensagem.

"Caro Jonas: Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz ‌por ter impedido mais de 8 guerras, não me sinto mais obrigado ‌a pensar apenas na paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América", escreveu Trump em sua resposta, vista pela Reuters.

Trump fez campanha abertamente pelo Prêmio Nobel da Paz, que no ano passado foi concedido à líder da oposição venezuelana María Corina Machado.

"Expliquei diversas vezes claramente a Trump o fato notório de que é um Comitê Nobel independente, e não o governo norueguês, que concede o prêmio", disse Stoere.

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Corina Machado entregou sua medalha de ouro a Trump durante uma reunião na Casa Branca na semana passada, embora o Comitê Nobel Norueguês tenha afirmado que o prêmio não pode ser transferido, compartilhado ou revogado.

O Comitê Nobel não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na segunda-feira.

Em sua mensagem a Stoere, Trump questionou novamente a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia, dizendo: "A Dinamarca não pode proteger essa terra da Rússia ou da China, e por que eles teriam um 'direito de propriedade', afinal?"

"Não há documentos escritos, apenas o fato de que um barco atracou lá há centenas de anos, mas nós também tivemos barcos atracando lá."

A ‌soberania dinamarquesa sobre a vasta ilha rica em minerais está documentada em uma série de instrumentos legais vinculativos, incluindo um tratado firmado em 1814. Os EUA reconheceram repetidamente que a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca.

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