Na Assembleia Geral da ONU, Donald Trump defendeu o uso do poder militar dos EUA para proteger interesses na América Latina, citando a captura de Nicolás Maduro e acordos de petróleo na Venezuela. Ele previu a queda do regime em Cuba e comparou os cartéis mexicanos ao Estado Islâmico. Globalmente, Trump previu um rápido acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, anunciou a criação de bases militares na Groenlândia e pediu que as nações abandonem o Tribunal Penal Internacional, chamando-o de ilegal.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22), durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, que seu país está disposto a utilizar seu "poderio militar incomparável" para defender interesses americanos na América Latina e no Caribe.
Como justificativa, o republicano citou a operação realizada pelos Estados Unidos na Venezuela em janeiro, que resultou na prisão e transferência do então presidente Nicolás Maduro para o território norte-americano.
"Nossas ações na Venezuela são prova de que os Estados Unidos não vão mais permitir que ameaças à América ganhem posição de destaque no hemisfério ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA", afirmou.
Trump também disse que os Estados Unidos não permitirão que países considerados adversários estabeleçam presença estratégica na região.
Ao abordar a Venezuela, Trump exaltou o acordo para ampliar a exploração de petróleo no país e vinculou a política energética aos interesses estratégicos americanos. Em uma declaração de forte tom, afirmou: "Os espólios pertencem aos vitoriosos".
Em seu pronunciamento, o republicano também classificou Cuba como "um Estado falido" e afirmou que o regime cubano "vai cair".
"Estamos pensando também numa mudança radical em Cuba, onde o regime comunista está sob a maior pressão que jamais esteve. É um regime absolutamente falido, um Estado falido. E vai cair", declarou.
Durante a fala, Trump afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, participa de negociações com o governo cubano e enfatizou que Washington não permitirá "que haja um porto seguro para o terror na nossa porta".
Na sequência, o presidente dos EUA afirmou que os cartéis representam uma ameaça à segurança de seu país e apontou especialmente para o México, que, segundo ele, é o "epicentro" da violência dos cartéis.
"Os cartéis são o Estado Islâmico do hemisfério ocidental", declarou.
Ele lembrou que, desde o início de seu mandato, designou cartéis como organizações terroristas estrangeiras e autorizou operações das Forças Armadas americanas contra essas organizações.
Além da América Latina, Trump abordou a guerra entre Rússia e Ucrânia, ao afirmar que acredita que um acordo de paz entre os dois países ocorrerá "mais cedo do que as pessoas imaginam".
Segundo Trump, tanto Kiev quanto Moscou "já estão fartos" do conflito.
Ao longo do discurso, o líder americano anunciou planos para ampliar significativamente a presença militar dos Estados Unidos na Groenlândia, destacando que pretende enviar uma "presença militar maciça" para a ilha e construir duas bases militares consideradas estratégicas.
Em outro trecho, Trump pediu que os países deixem o Tribunal Penal Internacional (TPI), classificando a instituição como "ilegal" e "fora de controle".
O presidente argumentou que o tribunal não possui jurisdição sobre os Estados Unidos e pediu aos países integrantes que se retirem da instituição.