Donald Trump assinou um acordo de segurança com a Groenlândia e a Dinamarca na ONU, prevendo o envio de tropas e a criação de duas bases militares no território ártico, alvo de antigas ambições do presidente norte-americano. Embora a postura de Washington tenha gerado receios na Dinamarca e na Otan desde seu retorno ao poder, o pacto foi elogiado por líderes da aliança militar e da União Europeia, que destacaram o reforço à estabilidade regional e o respeito à soberania groenlandesa.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (22) um acordo de segurança com a Groenlândia e a Dinamarca, em uma cerimônia realizada à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
O republicano havia afirmado anteriormente que o pacto daria aos EUA "controle permanente" sobre a segurança de Nuuk, território autônomo dinamarquês no Ártico que Trump cobiça há muito tempo.
"Isto é extraordinário para a Europa, os Estados Unidos e a Groenlândia, para todos. Vai ser incrível! O povo groenlandês tem sido incrivelmente gentil, enquanto os dinamarqueses têm sido excepcionais, por isso sei que será uma relação fantástica e duradoura", disse Trump durante a cerimônia de assinatura.
Pouco antes de o pacto ser fechado, o magnata havia afirmado que os Estados Unidos "enviarão imediatamente uma presença militar maciça" para Nuuk, além de revelar que pretende construir "duas bases militares muito importantes".
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, disse ser "fantástico" ter visto o acordo trilateral ser assinado em Nova York.
"Estamos cientes das ameaças que enfrentamos, e uma maior segurança no Ártico e no Atlântico Norte é essencial tanto para a Europa quanto para a América do Norte. Este acordo, aliado ao papel cada vez mais importante da Otan na garantia da segurança desta região vital, fortalece nossa segurança coletiva e contribui para um futuro mais seguro e estável para todos nós", escreveu o líder da aliança militar.
Já o presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou, em um comunicado, que o pacto de segurança representa um "passo positivo para a cooperação transatlântica e para a segurança no Ártico, baseado no respeito à soberania, à integridade territorial e ao direito à autodeterminação do povo groenlandês".
"A União Europeia está pronta para continuar trabalhando em estreita colaboração com a Groenlândia, a Dinamarca e nossos parceiros transatlânticos por um Ártico pacífico, seguro e próspero", comentou.
Desde que retornou à presidência, em janeiro de 2025, Trump tem insistido repetidamente que os Estados Unidos precisam controlar a Groenlândia por razões estratégicas. A posição alarmou a Dinamarca, aliada dos americanos na Otan, e provocou forte resistência por parte de integrantes da aliança. .