Trentini e Burlò retornam à Itália após quase 14 meses detidos na Venezuela

Italianos foram libertados no último dia 12 de janeiro

13 jan 2026 - 08h30
(atualizado às 09h10)

O trabalhador humanitário Alberto Trentini e o empresário Mario Burlò chegaram à Itália na manhã desta terça-feira (13), após quase 14 meses de prisão na Venezuela.

Os dois italianos desembarcaram no Aeroporto Militar de Ciampino, em Roma, onde foram recebidos por seus familiares, pela primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e pelo vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani.

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A chegada foi marcada por cenas de forte emoção. Os filhos de Burlò, Gianna e Corrado, correram para abraçá-lo, enquanto a mãe de Trentini, Armanda, recebeu o voluntário com um longo e comovente abraço.

"Os sorrisos dos filhos de Burlò e o abraço da mãe de Trentini são cenas comoventes, pois envolvem aspectos humanos e políticos. Ver duas pessoas que finalmente podem estar perto de suas famílias é algo que nos enche o coração", afirmou Tajani.

O ministro destacou ainda que tanto ele quanto a primeira-ministra ficaram felizes em revê-los "inclusive em boas condições, apesar da detenção".

Pouco depois, Meloni publicou nas redes sociais uma mensagem de boas-vindas. "Bem-vindos de volta!", escreveu ela, ao compartilhar um vídeo da chegada de Trentini e Burlò.

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As imagens mostram os dois italianos abraçando seus familiares e, em seguida, cumprimentando Meloni e Tajani no saguão do aeroporto.

Tajani também celebrou o retorno dos italianos nas redes sociais. "Alberto Trentini e Mario Burlò finalmente chegaram à Itália. Sejam bem-vindos de volta!", escreveu, ao divulgar uma foto do desembarque.

Em um comunicado lido pela advogada Alessandra Ballerini, que acompanhou o caso nos últimos meses, Trentini e sua família expressaram sentimentos mistos.

"Estamos radiantes, mas nossa felicidade tem um preço muito alto. O sofrimento e esses intermináveis 423 dias não podem ser apagados. De agora em diante, precisamos viver dias pacíficos e construtivos para tentar apagar as más lembranças e superar o sofrimento desses 14 meses", afirmou a nota.

Durante o encontro no aeroporto, Meloni dirigiu-se a Trentini lembrando da angústia vivida por sua família: "Você abraçou sua mãe; ela estava muito preocupada, sabia?", disse a primeira-ministra, ao cumprimentá-lo. Em seguida, voltou-se a Burlò e a seus filhos: "Não quero incomodá-los, vocês têm um tempo a recuperar".

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O avião do governo italiano que trouxe Trentini e Burlò de Caracas pousou em Ciampino por volta das 8h30 (horário local). A bordo estava também o diretor da Agência Italiana de Inteligência Externa (AISE), Giovanni Caravelli, cuja presença confirma o papel da comunidade de inteligência nas longas negociações que levaram à libertação e ao retorno dos dois italianos ao país.

Natural de Veneza, Trentini chegou a Caracas em outubro de 2024 para uma missão com a ONG Humanity and Inclusion, voltada ao atendimento humanitário de pessoas com deficiência. Ele foi detido no mês seguinte, enquanto se deslocava da capital venezuelana para Guasdualito.

O voluntário estava preso no complexo penitenciário de segurança máxima El Rodeo, em Caracas, sem que acusações formais tivessem sido apresentadas.

Já Burlò, contador e empresário de Turim, foi preso em novembro de 2024, sem motivo aparente, após viajar ao país para explorar novas oportunidades de negócios.

Os dois foram libertados no último dia 12 de janeiro, após uma "cooperação construtiva" demonstrada pela presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, e por "todas as instituições e pessoas na Itália que trabalharam com empenho e discrição para alcançar este importante resultado", segundo Meloni.  

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