A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, grupo tradicionalista fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), criticou o papa Leão XIV por se reunir no Vaticano com a arcebispa da Cantuária, Sarah Mullally, primeira mulher a liderar a Igreja Anglicana.
"As imagens que chegam de Roma são ao mesmo tempo abomináveis e grotescas", diz um comunicado da entidade, que já protagonizou inúmeras polêmicas com a Santa Sé nas últimas décadas e defende a missa tridentina, celebrada em latim, além de não reconhecer as reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II.
"Uma mulher que a Igreja Católica não reconhece como sacerdotisa nem como bispa aparece vestida com os sinais externos da autoridade apostólica, é recebida com honras pelo papa Leão XIV, e duas figuras vestidas de forma semelhante são vistas sentadas uma de frente para a outra, como se representassem duas autoridades sagradas equivalentes", afirma a nota.
"Podemos negar o estado de grave necessidade em que se encontra a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo?", acrescentam os "lefebvrianos".
Casada, mãe de dois filhos e defensora de matrimônios homoafetivos, Mullally foi eleita em outubro de 2025 e entronizada como chefe anglicana em março passado, assumindo a liderança espiritual de uma comunidade de 85 milhões de fiéis, nascida do cisma promovido pelo rei Henrique VIII em 1534.
Em contraste, a Igreja Católica já rechaçou inúmeras vezes a hipótese de ordenar mulheres e de permitir que padres formem família. No entanto, apesar das diferenças, tanto o Papa quanto Mullally defenderam que as duas religiões caminhem rumo à unidade de comunhão.