Piada de Jimmy Kimmel enfurece Casa Branca e testa novo CEO da Disney

28 abr 2026 - 14h03

Uma piada do ‌apresentador de talk show Jimmy Kimmel, que provocou pedidos da Casa Branca para que a rede de TV ABC demitisse o comediante, desencadeou a primeira crise enfrentada pelo novo presidente-executivo da Walt Disney, Josh D'Amaro.

Na quinta-feira passada, Kimmel, cujo programa de TV noturno é transmitido pela ABC da Disney, fez uma sátira do jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa ⁠Branca, brincando que a primeira-dama Melania Trump tinha "um brilho de uma futura viúva".

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A piada foi feita ‌três dias antes do jantar de gala, que celebra a liberdade de imprensa e de expressão, em Washington. O presidente e a primeira-dama foram retirados às pressas do jantar ‌após uma tentativa de assassinato.

Os Trumps pediram na segunda-feira que a ‌ABC demitisse Kimmel, no mais recente incidente em que a Casa Branca tem se oposto ⁠à liberdade de expressão, o que agitou o mundo da comédia noturna.

Durante seu monólogo no programa de segunda-feira à noite, Kimmel disse que a piada havia sido mal interpretada e não era um "apelo ao assassinato", mas um comentário sobre a diferença de idade entre Trump, que completará 80 anos em junho, e sua esposa, que fez 56 anos este mês.

Steven Cheung, assistente ‌do presidente e diretor de comunicações da Casa Branca, acusou Kimmel, em um post no ‌X, de "fazer uma piada nojenta sobre ⁠o assassinato do ⁠presidente" e de "insistir na piada em vez de fazer a coisa decente e pedir desculpas".

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A FCC deve ordenar, ⁠ainda hoje, a revisão das licenças das oito ‌emissoras ABC de propriedade da Disney, ‌disse uma fonte à Reuters.

D'Amaro, que se tornou presidente-executivo da Disney em março, deve decidir como responder à crescente pressão da Casa Branca para demitir Kimmel.

Um porta-voz da Disney não pôde ser contatado para comentar sobre Kimmel, que sobreviveu a um ⁠pedido anterior para que a ABC o demitisse.

A ABC é regulamentada pela Comissão Federal de Comunicações, que emite licenças de transmissão para suas emissoras afiliadas. O presidente da FCC, Brendan Carr, disse à Reuters no mês passado que estava considerando antecipar as revisões, que não estão programadas até outubro de 2028.

Carr não respondeu ‌imediatamente a uma mensagem de texto e a FCC não comentou imediatamente se analisaria as falas de Kimmel.

Em setembro de 2025, o chefe da FCC pressionou as emissoras a tirarem ⁠Kimmel do ar. A ABC suspendeu brevemente o programa de Kimmel naquele mês devido aos comentários que ele fez sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.

As controvérsias passadas do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca geralmente se concentraram em comediantes que levaram o formato tradicional de "roast" do evento (marcado por piadas mordazes) longe demais para alguns participantes. Os apresentadores de programas noturnos Stephen Colbert e Seth Meyers foram criticados por seus comentários contundentes. O evento deste ano contou com a participação do mentalista Oz Pearlman, e não de um comediante.

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Trump não compareceu ao jantar de 2017 e realizou um comício em seu lugar. A apresentação da comediante Michelle Wolf em 2018, especialmente as piadas envolvendo Sarah Huckabee Sanders, provocou reações negativas e, em 2019, a associação abandonou o formato de "roast" em favor do historiador Ron Chernow.

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