Crianças em Darfur estão no "limite" ao enfrentar fome extrema e violência, diz ONU

28 abr 2026 - 14h55

Cinco milhões de ‌crianças na região de Darfur, no Sudão, estão enfrentando privações extremas, informou a agência da Organização das Nações Unidas para a infância nesta terça-feira, emitindo um alerta de emergência sobre a situação, já que a guerra civil no país entra em seu quarto ano.

O ⁠aviso, conhecido como "Alerta para Crianças", é usado com parcimônia pelo Unicef e ‌foi projetado para sinalizar que uma situação atingiu um limite crítico. É a primeira vez em 20 anos que a agência emite ‌um alerta para Darfur.

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"As crianças estão à beira ‌de um colapso em toda a região, a infância é ⁠novamente definida por medo, por perda. Casas foram incendiadas, escolas e instalações de saúde foram danificadas ou destruídas", disse Sheldon Yett, representante do Unicef no Sudão, a repórteres em Genebra, por videoconferência de Porto Sudão.

"As crianças arcam com o maior peso da guerra em Darfur, sendo mortas e mutiladas, ‌arrancadas de suas casas e empurradas para a fome extrema, doenças ‌e traumas", disse ele.

Darfur, ⁠uma vasta região ⁠no oeste do Sudão, tem sido um ponto focal de violência, incluindo assassinatos ⁠de cunho étnico, na guerra ‌civil que eclodiu em abril ‌de 2023 entre o Exército sudanês e as paramilitares Forças de Apoio Rápido.

A região também foi palco de atrocidades e deslocamentos em massa em um conflito que se agravou em 2003, ⁠depois que os rebeldes pegaram em armas contra o governo do Sudão, que usou milícias árabes para reprimir a revolta.

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Apesar do agravamento da crise atual, o Unicef disse que ela atraiu pouca atenção global em comparação com o ‌conflito de duas décadas atrás, com o apelo humanitário da agência para o Sudão para este ano foi financiado em apenas 16%.

Em todo ⁠o Sudão, pelo menos 160 crianças foram mortas e 85 ficaram feridas nos primeiros três meses de 2026, marcando um aumento significativo em comparação com o mesmo período do ano passado, disse o Unicef.

O impacto mais grave sobre as crianças foi observado na cidade de al-Fashir, há muito sitiada, disse o Unicef, onde, desde abril de 2024, pelo menos 1.300 crianças foram mortas ou mutiladas, e houve relatos de violência sexual, sequestros e recrutamento por grupos armados.

A desnutrição aguda atingiu níveis de fome em mais duas áreas de Darfur do Norte em fevereiro, de acordo com a Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC) apoiada pela ONU.

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