Cinco milhões de crianças na região de Darfur, no Sudão, estão enfrentando privações extremas, informou a agência da Organização das Nações Unidas para a infância nesta terça-feira, emitindo um alerta de emergência sobre a situação, já que a guerra civil no país entra em seu quarto ano.
O aviso, conhecido como "Alerta para Crianças", é usado com parcimônia pelo Unicef e foi projetado para sinalizar que uma situação atingiu um limite crítico. É a primeira vez em 20 anos que a agência emite um alerta para Darfur.
"As crianças estão à beira de um colapso em toda a região, a infância é novamente definida por medo, por perda. Casas foram incendiadas, escolas e instalações de saúde foram danificadas ou destruídas", disse Sheldon Yett, representante do Unicef no Sudão, a repórteres em Genebra, por videoconferência de Porto Sudão.
"As crianças arcam com o maior peso da guerra em Darfur, sendo mortas e mutiladas, arrancadas de suas casas e empurradas para a fome extrema, doenças e traumas", disse ele.
Darfur, uma vasta região no oeste do Sudão, tem sido um ponto focal de violência, incluindo assassinatos de cunho étnico, na guerra civil que eclodiu em abril de 2023 entre o Exército sudanês e as paramilitares Forças de Apoio Rápido.
A região também foi palco de atrocidades e deslocamentos em massa em um conflito que se agravou em 2003, depois que os rebeldes pegaram em armas contra o governo do Sudão, que usou milícias árabes para reprimir a revolta.
Apesar do agravamento da crise atual, o Unicef disse que ela atraiu pouca atenção global em comparação com o conflito de duas décadas atrás, com o apelo humanitário da agência para o Sudão para este ano foi financiado em apenas 16%.
Em todo o Sudão, pelo menos 160 crianças foram mortas e 85 ficaram feridas nos primeiros três meses de 2026, marcando um aumento significativo em comparação com o mesmo período do ano passado, disse o Unicef.
O impacto mais grave sobre as crianças foi observado na cidade de al-Fashir, há muito sitiada, disse o Unicef, onde, desde abril de 2024, pelo menos 1.300 crianças foram mortas ou mutiladas, e houve relatos de violência sexual, sequestros e recrutamento por grupos armados.
A desnutrição aguda atingiu níveis de fome em mais duas áreas de Darfur do Norte em fevereiro, de acordo com a Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC) apoiada pela ONU.