Por Pascal Mulegwa, correspondente da RFI em Bunia, e AFP
Na sexta-feira (19), a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a epidemia da doença no país se propaga rapidamente, apesar do aumento dos esforços para combater o vírus. Segundo a OMS, as equipes de saúde ainda correm contra o tempo para enfrentar o agravamento da situação no nordeste da República Democrática do Congo.
"O surto continua grave" e está "evoluindo muito rápido", declarou Marie-Roseline Belizaire, responsável por emergências para a África na OMS, que alertou para uma "transmissão acelerada".
O surto foi declarado em 15 de maio e se concentra na província de Ituri, assolada pelo conflito, que acumula mais de 80% dos casos conhecidos, embora também tenha se espalhado para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
Belizaire afirmou que a epidemia avança com tanta rapidez que as equipes são obrigadas a acelerar a resposta para não perder o ritmo. A OMS indicou que é necessário localizar 95% dos contatos para controlar o surto.
O ebola se propaga por contato próximo com fluidos corporais infectados, e uma melhor detecção permite que as equipes de resposta realizem enterros seguros e dignos, reduzindo, assim, o "risco muito elevado" associado ao manejo de corpos infectados por familiares.
"Encorajamento e esperança" em Mongbwalu
Mais de um mês depois do início do surto, a situação começa a melhorar aos poucos em Mongbwalu, de quase 200 mil habitantes, onde a epidemia começou, apesar do aumento no número de casos no restante do país. É o que testemunha o diretor médico, Richard Lokudi.
"No início, tínhamos de dez a quinze mortes por dia; agora, no hospital, tem caído para quatro mortes por dia. Na comunidade, temos dez alertas; ainda é muito, mas também está diminuindo", relata Lokudi.
Uma melhoria graças ao aumento da conscientização, embora em algumas cidades da região a desconfiança impeça as equipes de saúde de acessar certos casos suspeitos.
"As pessoas estão começando a entender que a doença existe. Pelo menos estão indo ao hospital. Às vezes conseguimos prestar atendimento, mas também há casos em que não conseguimos salvar", acrescenta o Diretor Médico Richard Lokudi.
Pela primeira vez desde o retorno oficial do ebola, Samuel Roger Kamba, Ministro da Saúde congolês, e Patrick Muyaya, Ministro da Comunicação, viajaram para Mongbwalu para avaliar e fortalecer a resposta.
Ao sair da cidade, Kamba prometeu a expansão do centro de tratamento e o acréscimo de mais ambulâncias, com o objetivo de intensificar a resposta e quebrar a cadeia de transmissão.
"Estamos muito impressionados com o que encontramos aqui, especialmente com o engajamento da comunidade. Ao conversar com todos — inclusive com Médicos Sem Fronteiras — percebemos que a comunidade está cada vez mais envolvida, e isso é uma mensagem de encorajamento e esperança", Roger Kamba, Ministro da Saúde, em Mongbwalu.