O governo Trump planeja fixar o teto de refugiados em 17.500 para os próximos 12 meses, priorizando a minoria branca afrikaner sob a alegação de perseguição racial na África do Sul, que nega as acusações. Com custo estimado em US$ 500 milhões, a medida visa facilitar a assimilação e poupar recursos públicos. A iniciativa, que quase monopolizou as admissões recentes após a suspensão geral do programa, gerou fortes críticas de defensores dos direitos humanos pela exclusão de outros povos em risco.
O governo Trump planeja estabelecer um teto de admissão de refugiados de 17.500 nos próximos 12 meses, composto "principalmente" por sul-africanos pertencentes à minoria étnica branca dos afrikaners, de acordo com um comunicado enviado ao Congresso nesta terça-feira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, alegou que os afrikaners enfrentam perseguição por motivos raciais nesse país de maioria negra, alegações que o governo sul-africano nega.
Trump suspendeu todas as admissões de refugiados nos EUA quando assumiu o cargo em janeiro de 2025, afirmando que elas só seriam retomadas se fosse do interesse do país. Semanas depois, ele começou uma iniciativa para trazer afrikaners, o que gerou críticas de defensores dos refugiados, que condenaram a exclusão de pessoas de outras nacionalidades que fogem da perseguição e da violência.
O comunicado enviado pelo Departamento de Estado a autoridades do Congresso afirmou que "prevê que os afrikaners da África do Sul se assimilarão plenamente aos Estados Unidos de uma forma que preserve os recursos dos contribuintes para os cidadãos americanos".
O reassentamento dentro do limite proposto deve custar aproximadamente US$500 milhões, segundo o comunicado.
Todas, exceto três, das quase 3.000 pessoas admitidas como refugiadas no atual ano fiscal, que termina em 30 de setembro de 2026, eram sul-africanas, de acordo com dados do Departamento de Estado até agosto.
No ano fiscal de 2024, em contrapartida, o governo Biden acolheu mais de 100 mil refugiados de dezenas de países.
"Um programa de refugiados que privilegia um grupo e deixa todos os outros de lado é uma renúncia à nossa liderança humanitária global e um abandono de milhares de famílias vulneráveis", afirmou Krish O'Mara Vignarajah, presidente da Global Refuge, em comunicado.