Meloni rebate presidente da Itália sobre teto para alunos estrangeiros

Premiê recordou circulares assinadas por Mattarella quando ele era ministro da Educação

22 set 2026 - 18h02
(atualizado às 18h13)
Resumo
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, defendeu a proposta de limitar o número de alunos estrangeiros por sala de aula, rebatendo críticas do presidente Sergio Mattarella, que havia defendido escolas inclusivas. Meloni justificou a medida citando diretrizes de 1989 e 1990 assinadas pelo próprio Mattarella quando era ministro da Educação. A oposição criticou a premiê por envolver o presidente na controvérsia, enquanto o governo e a Presidência mantêm diálogo sobre as medidas escolares.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, respondeu nesta terça-feira (22) ao presidente do país, Sergio Mattarella, após o chefe de Estado ter se distanciado da proposta do governo de limitar a quantidade de alunos estrangeiros nas salas de aula.

Premiê recordou circulares assinadas por Mattarella quando ele era ministro da Educação
Premiê recordou circulares assinadas por Mattarella quando ele era ministro da Educação
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A declaração da premiê italiana à emissora RAI ocorreu depois que sua intenção de estabelecer por lei um teto para o número de estudantes estrangeiros por turma se tornou alvo de críticas. Mattarella, por sua vez, havia destacado durante evento em Amatrice que as escolas devem ser inclusivas e abertas a todos.

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"Quando o presidente da República era ministro da Educação, ele próprio elaborou circulares recomendando evitar a concentração de alunos estrangeiros na mesma sala de aula. É uma medida de bom senso e acredito que seja correto avançar com ela", afirmou Meloni durante participação no programa Cinque minuti.

As circulares citadas pela chefe de governo foram assinadas por Mattarella em 1989 e 1990. Na primeira delas, o então ministro da Educação pontuou que, "quando houver vários alunos imigrantes do mesmo país e com formação cultural semelhante, poderá ser benéfico, do ponto de vista pedagógico, colocá-los na mesma turma, desde que o ideal de não ultrapassar quatro ou cinco alunos seja mantido".

Já no segundo documento, o atual presidente indicava ser "apropriado dividir os alunos estrangeiros em grupos reduzidos por turma, de modo a facilitar sua integração linguística natural com os estudantes italianos".

As declarações de Meloni foram duramente criticadas pela deputada Elly Schlein, líder do Partido Democrático (PD) e principal nome da oposição no país.

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"Puxar o presidente pela jaqueta e tentar arrastá-lo, como fez Meloni, para a controvérsia política do momento é um sinal claro de completa falta de senso de Estado e constitui uma provocação direta ao cargo mais alto da nação, algo de que a Itália definitivamente não precisa", afirmou Schlein.

Fontes do Palácio do Quirinale preferiram não comentar as falas da primeira-ministra, mas confirmaram que há conversas em andamento entre os gabinetes da Presidência da República e os ministérios competentes sobre o pacote de medidas que o governo pretende implementar. .

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