A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, defendeu a proposta de limitar o número de alunos estrangeiros por sala de aula, rebatendo críticas do presidente Sergio Mattarella, que havia defendido escolas inclusivas. Meloni justificou a medida citando diretrizes de 1989 e 1990 assinadas pelo próprio Mattarella quando era ministro da Educação. A oposição criticou a premiê por envolver o presidente na controvérsia, enquanto o governo e a Presidência mantêm diálogo sobre as medidas escolares.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, respondeu nesta terça-feira (22) ao presidente do país, Sergio Mattarella, após o chefe de Estado ter se distanciado da proposta do governo de limitar a quantidade de alunos estrangeiros nas salas de aula.
A declaração da premiê italiana à emissora RAI ocorreu depois que sua intenção de estabelecer por lei um teto para o número de estudantes estrangeiros por turma se tornou alvo de críticas. Mattarella, por sua vez, havia destacado durante evento em Amatrice que as escolas devem ser inclusivas e abertas a todos.
"Quando o presidente da República era ministro da Educação, ele próprio elaborou circulares recomendando evitar a concentração de alunos estrangeiros na mesma sala de aula. É uma medida de bom senso e acredito que seja correto avançar com ela", afirmou Meloni durante participação no programa Cinque minuti.
As circulares citadas pela chefe de governo foram assinadas por Mattarella em 1989 e 1990. Na primeira delas, o então ministro da Educação pontuou que, "quando houver vários alunos imigrantes do mesmo país e com formação cultural semelhante, poderá ser benéfico, do ponto de vista pedagógico, colocá-los na mesma turma, desde que o ideal de não ultrapassar quatro ou cinco alunos seja mantido".
Já no segundo documento, o atual presidente indicava ser "apropriado dividir os alunos estrangeiros em grupos reduzidos por turma, de modo a facilitar sua integração linguística natural com os estudantes italianos".
As declarações de Meloni foram duramente criticadas pela deputada Elly Schlein, líder do Partido Democrático (PD) e principal nome da oposição no país.
"Puxar o presidente pela jaqueta e tentar arrastá-lo, como fez Meloni, para a controvérsia política do momento é um sinal claro de completa falta de senso de Estado e constitui uma provocação direta ao cargo mais alto da nação, algo de que a Itália definitivamente não precisa", afirmou Schlein.
Fontes do Palácio do Quirinale preferiram não comentar as falas da primeira-ministra, mas confirmaram que há conversas em andamento entre os gabinetes da Presidência da República e os ministérios competentes sobre o pacote de medidas que o governo pretende implementar. .