O Ministério da Defesa da Síria anunciou nesta sexta-feira (9) um cessar-fogo em diversos bairros da cidade de Aleppo, após confrontos entre o Exército e combatentes curdos, que deixaram ao menos 25 mortos. Após o comunicado oficial, o presidente do país, Ahmed al-Sharaa, recebeu a líder do Executivo da União Europeia, Ursula von der Leyen, e o chefe do Conselho Europeu, António Costa, para a concretização de uma parceria.
"Para evitar qualquer escalada militar em áreas residenciais", a trégua se dará "nas proximidades dos bairros de Sheikh Maqsoud, Alashrafieh e Bani Zeid, em Aleppo, a partir das 3h da manhã (21h de Brasília)", diz a nota do governo sobre o conflito armado iniciado na terça (6), que resultou em ao menos 25 mortos, centenas de feridos e mais de 30 mil deslocados.
Em Damasco, Von der Leyen tornou-se a mais alta autoridade da UE a visitar a Síria depois do fim da ditadura da família Assad, em dezembro de 2024 após mais de 50 anos.
"Após décadas de medo e silêncio, os sírios embarcaram em uma longa jornada rumo à esperança e ao renascimento. A Europa fará tudo o que estiver ao seu alcance para apoiar a recuperação e a reconstrução da Síria", escreveu Von der Leyen no X durante sua visita à capital.
A presidente da Comissão Europeia ofereceu a Damasco um pacote de 620 milhões de euros para 2026 e 2027, destinado a ajudar na reconstrução de serviços essenciais, como parte da nova cooperação econômica entre a UE e a Síria.
"Queremos que os sírios tenham uma chance real de voltar para casa", acrescentou Von der Leyen, referindo-se aos milhões de refugiados que deixaram o país a partir de 2011 em meio à guerra civil, que chegou ao fim com a queda de Bashar al-Assad, em 8 de dezembro de 2024.
Já Costa destacou a Al-Sharaa que a Síria "pode contar com o apoio da UE para uma transição democrática e inclusiva".
Desde a queda de Assad, diversos massacres contra minorias étnico-religiosas têm ocorrido no governo de Al-Sharaa, sendo os ataques em Aleppo contra os curdos o mais recente.