O embaixador russo na Itália, Alexei Paramonov, avaliou a reunião entre o vice-premiê italiano Matteo Salvini e empresários locais que atuam na Rússia como um sinal de retorno ao pragmatismo. O diplomata criticou os prejuízos das sanções e a queda do comércio bilateral, defendendo a retomada dos laços econômicos. O encontro ocorreu após Salvini cogitar a volta da importação do gás russo após a guerra, possibilidade que o Kremlin admitiu avaliar se for vantajosa para Moscou.
O embaixador de Moscou na Itália, Alexei Paramonov, classificou como um sinal de possível mudança de postura do governo italiano a reunião realizada na última segunda-feira (14), em Milão, entre o vice-premiê e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, e empresários italianos com negócios na Rússia.
Segundo o diplomata russo, o encontro "marca o início de um retorno do establishment italiano ao realismo, ao pragmatismo e ao bom senso".
Em comunicado publicado no canal da Embaixada da Rússia no Telegram, Paramonov afirmou ainda esperar que as opiniões apresentadas pelos empresários sejam levadas ao conhecimento de outras autoridades de alto escalão do governo italiano e dos ministros competentes.
Salvini reuniu-se com uma delegação de empresários italianos que atuam no mercado russo, acompanhados por Vittorio Torrembini, presidente da associação Gim Unimpresa, responsável pela organização do evento.
Na avaliação de Paramonov, os empresários, com base em sua experiência direta, percebem a redução das oportunidades comerciais desde a adoção das sanções da União Europeia contra Moscou após o início da guerra na Ucrânia.
O diplomata afirmou ainda que as medidas provocaram uma forte redução da cooperação energética entre Rússia e Itália e contribuíram para a queda do comércio bilateral, cujo volume caiu quase dez vezes.
"Não parece possível substituir, na matriz energética italiana, os volumes de recursos energéticos a preços acessíveis que anteriormente vinham da Rússia. Tampouco é possível identificar, de forma rápida e eficaz, novos mercados para as exportações tradicionais italianas", acrescentou Paramonov.
O representante do governo de Vladimir Putin também defendeu a retomada das relações econômicas entre os dois países, tendo em vista que, na Itália, "há uma crescente consciência de que o caminho adotado foi um erro e de que seria apropriado começar a considerar formas de restaurar e revitalizar as relações econômicas com a Rússia ? vínculos que foram precipitadamente cortados".
As declarações ocorreram um dia depois de Salvini afirmar que a Itália poderia voltar a importar gás russo após o fim da guerra na Ucrânia.
Hoje, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu que a Rússia poderia retomar o fornecimento de gás à Europa Ocidental no futuro, desde que a operação seja economicamente vantajosa para Moscou e que haja volumes disponíveis.
"Se tais fornecimentos forem vantajosos ? antes de tudo ? e se for possível reservar os volumes de gás necessários", afirmou Peskov, segundo a agência Interfax.
O porta-voz ressaltou que grandes volumes de gás russo já foram direcionados a outros mercados, em razão da mudança nos fluxos de exportação provocada pelas sanções e pela redução das compras europeias.
Salvini, líder da Liga, era um admirador declarado de Putin antes do início da guerra e também já expressou ceticismo em relação à política de apoio militar da Itália e de outros países europeus à Ucrânia.