ONU vê progresso na luta contra Ebola no Congo, mas ainda é cedo para apontar pico

15 set 2026 - 09h58
(atualizado às 10h17)
Resumo
A ONU e autoridades do Congo relatam progressos contra o surto de Ebola no país, com queda de novos casos diários de 120 para 80. Contudo, a OMS alerta que ainda é cedo para afirmar que o pico da epidemia foi superado, ressaltando que o controle total levará meses. Considerado o segundo mais letal da história, o surto já acumula 7.258 casos confirmados e 3.510 mortes em sete províncias, exigindo que a mobilização continue ativa para conter o avanço do vírus.

Autoridades da ONU afirmaram nesta terça-feira ‌que os esforços para conter o Ebola no leste do Congo estavam começando a dar resultados, mas ressaltaram que a epidemia continua sendo "massiva" e que levará meses para ser controlada.

"Continua sendo uma epidemia mortal e de grande magnitude. Há algumas áreas em que se ⁠observam avanços, mas, mesmo assim, em outras áreas, continuamos a ver ‌um aumento no número de casos", disse Julien Harneis, coordenador especial da ONU para o Ebola, em coletiva de imprensa em ‌Genebra.

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Este surto é o segundo mais letal ‌já registrado, atrás apenas do que ocorreu na África Ocidental ⁠e durou de 2014 a 2016.

Questionado sobre relatos de que a epidemia teria atingido um ponto de inflexão, Olivier le Polain, da Organização Mundial da Saúde, disse: "É muito cedo para afirmar com segurança que já passamos pelo pico."

Ele acrescentou: "Levará muitos e muitos meses para ‌controlar totalmente este surto, e isso exigirá um apoio significativo."

No sábado, ‌o ministro da Saúde ⁠do Congo, Samuel ⁠Roger Kamba, disse que havia "sinais encorajadores" na luta contra o Ebola desde "o pico ⁠atingido em meados de agosto" ‌e que a transmissão "tem ‌diminuído gradualmente".

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Ele disse que o número diário de novos casos caiu de aproximadamente 120 "no pico da epidemia" para cerca de 80, e que 10 das 62 zonas de saúde afetadas não ⁠registravam novos casos há mais de 22 dias.

"Para mim, esses números são um sinal positivo. Eles demonstram que os esforços realizados no terreno estão surtindo efeito e que nossa estratégia de resposta está começando a achatar a curva ‌de transmissão", afirmou ele.

"No entanto, devemos permanecer totalmente mobilizados. Embora esses resultados sejam encorajadores, eles não devem nos levar a baixar ⁠a guarda."

Falando na terça-feira na província de Ituri, onde os primeiros casos foram registrados, Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo, disse que a situação na região havia melhorado consideravelmente.

"Aqui em Ituri, os indicadores estão ficando verdes, enquanto antes estavam todos vermelhos. Não estamos dizendo que acabamos com a epidemia, mas estamos dizendo que as equipes de resposta... têm a situação sob controle", declarou, acrescentando que esperava que a epidemia estivesse "para trás" até o final do ano.

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Houve 7.258 casos confirmados e 3.510 mortes em sete províncias, de acordo com dados do governo divulgados na terça-feira.

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