Confiança nas vacinas contra sarampo cai nos EUA, mostra pesquisa Reuters Ipsos

15 set 2026 - 10h15
Resumo
Pesquisa Reuters/Ipsos revela que a confiança dos norte-americanos na vacina contra sarampo caiu de 84% em 2020 para 76%, com recuo mais forte entre republicanos. O declínio ocorre durante o pior surto da doença em 35 anos no país, com mais de 3.000 casos e cobertura vacinal em 92,5%, abaixo da meta de 95% para imunidade coletiva. O cenário é agravado por medidas do governo Trump e do secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., que reduziram de 17 para 11 as imunizações infantis federais.

A confiança ‌dos norte-americanos nas vacinas contra doenças infantis fatais, incluindo o sarampo, caiu nos últimos anos, segundo uma nova pesquisa Reuters/Ipsos — um sinal preocupante para o país, que enfrenta os piores surtos de sarampo das últimas décadas.

A pesquisa, realizada ao longo de quatro dias e concluída na segunda-feira, mostrou que uma maioria bipartidária da ⁠população ainda apoia a vacinação de crianças contra o sarampo, uma doença que ‌praticamente desapareceu dos EUA por mais de duas décadas, até que um ressurgimento se consolidou nos últimos anos, após uma queda nas taxas de vacinação.

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Cerca ‌de 76% dos norte-americanos afirmaram acreditar que as ‌vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola são seguras para as crianças, uma ⁠queda em relação aos 84% registrados em uma pesquisa Reuters/Ipsos de maio de 2020. A queda na confiança foi mais acentuada entre os republicanos, já que alguns membros do partido minimizaram a importância das vacinas.

O presidente Donald Trump assinou, em agosto, um decreto que prevê a redução do número de imunizações no ‌calendário federal de vacinação infantil de 17 para 11. O principal responsável pela área ‌de saúde do presidente ⁠republicano, Robert F. Kennedy ⁠Jr., foi um ativista antivacina de longa data antes de Trump nomeá-lo secretário de Saúde. ⁠Nessa função, ele tem buscado reformular ‌a política de vacinação dos ‌EUA, pressionando por uma redução no número de vacinas para crianças.

PIOR SURTO EM 35 ANOS

Pensilvânia, Utah e Carolina do Sul estão enfrentando surtos de sarampo este ano. A Pensilvânia anunciou três mortes relacionadas ao sarampo nas últimas ⁠semanas. O país registrou mais de 3.000 casos confirmados este ano, o maior número em 35 anos.

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O sarampo, que pode causar sintomas como febre, erupção cutânea e problemas respiratórios, é altamente contagioso, mas facilmente evitável com a vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola — uma ‌vacina de rotina para crianças que tem 97% de eficácia na prevenção da infecção após duas doses. Ela é normalmente administrada entre 12 e 15 ⁠meses de idade e, novamente, entre 4 e 6 anos.

A cobertura média de vacinação nos EUA entre crianças do jardim de infância caiu no ano passado para 92,5%, de acordo com dados do CDC, ficando abaixo do nível de 95% que, segundo especialistas, é necessário para alcançar a chamada imunidade coletiva, capaz de proteger aqueles na comunidade que não podem receber a vacina.

A pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 19% dos norte-americanos aprovam a maneira como Trump tem lidado com o surto de sarampo, em comparação com 52% que desaprovam. O restante afirmou não ter opinião ou não respondeu à pergunta.

A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online e em todo o país, reuniu respostas de 1.143 adultos norte-americanos e teve uma margem de erro de 3 pontos percentuais.

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