A Rússia definiu como "calúnia" as acusações do vice-premiê da Itália e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, que disse que os ciberataques ocorridos em Roma e em Cortina D'Ampezzo na quarta-feira (4) teriam ligação com Moscou. Nesta sexta (6), uma nova onda de ataques virtuais tomou conta de portais ligados aos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina.
"Se tais declarações foram feitas sem provas, então não passam de calúnias", afirmou a ministra das Relações Exteriores russa, Maria Zakharova, à agência Novosti na quinta (5).
Já a Embaixada do governo de Vladimir Putin na capital italiana ironizou os comentários de Tajani.
"Para vocês [Itália], a Rússia é culpada de tudo", respondeu a representação do Kremlin no Telegram.
Tem gente que acredita que Moscou também seja culpada pelo "derretimento das geleiras nos Alpes italianos, pelo mau tempo na Sicília, pelas doenças que afetam os pinheiros romanos, pelo declínio do peixe-espada nas águas mediterrâneas, bem como pelos mosquitos italianos agressivos", ironizou a embaixada, antes de finalizar: "O que seria de nós se a Rússia não existisse?".
Na quarta, Tajani comunicou que o governo da Itália frustrou uma série de ciberataques russos contra embaixadas localizadas em Roma, além de locais dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, incluindo um hotel em Cortina d'Ampezzo. Segundo a Itália, a ação foi reivindicada pelo grupo hacker russo Noname057(16).
Hoje uma nova onda de ataques do Noname057(16) e do grupo internacional Anonymous teve como alvo sites relacionados aos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina, como o portal oficial do evento, os de Comitês Olímpicos e de delegações estrangeiras.
Entre os alvos que sofreram interrupções estão as páginas dos Comitês Olímpicos da Áustria e da Finlândia, da seleção alemã e de um restaurante em Cortina. A maioria dos sites atingidos não apresentou problemas.
Assim como na quarta, os ataques foram do tipo DDoS (Ataques de Negação de Serviço Distribuídos) que visam bloquear os sites inundando-os com solicitações de acesso.