Papa condena doping, fanatismo e exploração política no esporte

Leão XIV publicou carta por ocasião da abertura dos Jogos de Milão-Cortina

6 fev 2026 - 09h03

O papa Leão XIV fez um forte apelo em defesa da ética no esporte ao condenar práticas como o doping, a corrupção, o fanatismo das torcidas e a exploração política de competições esportivas.

    As declarações constam da carta "Vida em Abundância: Sobre o Valor do Esporte", publicada nesta sexta-feira (6), por ocasião da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão e Cortina d'Ampezzo.

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    Segundo o Pontífice, a competição esportiva autêntica se baseia em um "pacto ético compartilhado", que inclui a "aceitação leal das regras e o respeito pela verdade".

    Para ele, o combate ao doping e à corrupção não é apenas uma questão disciplinar, mas algo que atinge "o próprio coração do esporte".

    "Alterar artificialmente o desempenho ou comprar resultados, significa transformar a busca compartilhada pela excelência em opressão individual ou partidária", alertou.

    Leão XIV ressaltou ainda que "o verdadeiro esporte educa para uma relação serena com os limites e as normas", que definiu como a "gramática" essencial do jogo. "Sem regras, não há competição nem encontro, mas apenas caos ou violência", advertiu.

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    O Papa também chamou atenção para o papel dos torcedores, afirmando que a cultura da competição justa deve envolver não apenas atletas, mas também o público.

    Embora o sentimento de pertencimento a uma equipe seja geralmente positivo, ele pode se tornar problemático quando evolui para polarização e violência verbal ou física.

    Nesse contexto, a torcida deixa de ser expressão de apoio e se converte em fanatismo, transformando os estádios em espaços de conflito em vez de encontro. Ou seja, "não une, mas extremiza; não educa, mas deseduca, porque reduz a identidade pessoal a um pertencimento cego e oposicional", afirmou Robert Prevost.

    Para o Pontífice, esse fenômeno é ainda mais preocupante quando associado a discriminações políticas, sociais ou religiosas, ou quando utilizado para expressar ressentimento e ódio.

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    Por fim, Leão XIV criticou também a exploração política de competições esportivas internacionais, afirmando que submeter o esporte à lógica do poder, da propaganda ou da supremacia nacional trai sua vocação universal.

    "Os grandes eventos esportivos devem ser lugares de encontro e admiração mútua, não palcos para a afirmação de interesses políticos ou ideológicos", concluiu o Papa. .

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