Na reta final das eleições de meio de mandato nos EUA, que já somam 55 milhões de votos antecipados e definirão o controle do Congresso, os democratas enfrentam divisões internas após uma deputada de Michigan apoiar o rival republicano ao Senado. Enquanto os democratas lideram as projeções para a Câmara e buscam virar a maioria republicana no Senado para frear a agenda de Trump, o presidente acionou a Suprema Corte para tentar barrar a contagem de 20 mil votos por correspondência na Califórnia.
Os democratas tentaram conter uma divisão na disputa pelo Senado dos EUA em Michigan depois que um de seus membros cruzou as linhas partidárias para apoiar o candidato republicano, enquanto o presidente Donald Trump intensificou nesta segunda-feira esforços jurídicos para intervir na contagem dos votos, à medida que os partidos apresentavam argumentos finais na véspera das eleições de meio de mandato que determinarão o controle do Congresso.
Em um fim de semana agitado, a deputada federal Haley Stevens, que perdeu as primárias democratas para o Senado de Michigan para Abdul El-Sayed em uma disputa acirrada, repentinamente passou a apoiar o republicano Mike Rogers e apareceu com ele em uma igreja em Detroit. A disputa é fundamental para as esperanças dos democratas de acabar com a maioria de 53 a 47 no Senado, atualmente nas mãos dos republicanos de Trump.
Trump, que vem realizando comícios diários em todo o país em apoio aos candidatos republicanos, apresentou na segunda-feira um pedido de emergência à Suprema Corte dos EUA para impedir temporariamente que a Califórnia conte os votos por correspondência de mais de 20 mil eleitores registrados que, segundo autoridades federais, provavelmente não são cidadãos norte-americanos.
A Califórnia afirmou que a ação judicial poderia privar 20 mil eleitores do direito de voto com base em acusações vagas e que o processo do governo para identificar não cidadãos era falho e propenso a erros.
Um porta-voz da campanha de El-Sayed informou que a campanha arrecadou US$2,4 milhões no domingo, sua maior arrecadação em um único dia, impulsionada por doações de pequeno valor, com média de US$ 36,74, provenientes de mais de 65 mil doadores.
Analistas apartidários, em geral, consideram mais provável que os democratas conquistem a maioria na Câmara dos Deputados. Conquistar o controle do Senado será mais complicado; esses analistas agora consideram as disputas em estados tradicionalmente de tendência republicana — incluindo Texas, Kansas e Iowa — competitivas para o partido da oposição, o que lhe dá mais opções para alcançar a maioria.
O controle de qualquer uma das casas restringiria a capacidade de Trump de aprovar leis e daria aos democratas poder para investigar seu governo, enquanto a maioria no Senado também lhes permitiria bloquear seus indicados para tribunais federais, incluindo a Suprema Corte.
De acordo com o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida, 55 milhões de votos já foram dados presencialmente e pelo correio, um número superior aos 45 milhões registrados nas eleições de meio de mandato de 2022.