De acordo com o boletim trimestral da instituição, vinculada à ONU, a atual fase de La Niña, de intensidade mais fraca, deve perder força nos próximos meses, abrindo espaço primeiro para um período de neutralidade e, em seguida, para a possível formação do El Niño. A OMM ressalta que a incerteza das projeções aumenta à medida que as previsões se estendem no ano, mas a tendência vem se consolidando.
A estimativa segue linha semelhante à divulgada em janeiro pela NOAA, agência norte-americana responsável pelo monitoramento climático, que calculou entre 50% e 60% a chance de El Niño se instalar entre julho e setembro.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que cientistas de diversos países acompanham atentamente a evolução dos indicadores. Segundo ela, a experiência recente ajuda a dimensionar os riscos: o episódio de 2023-2024, um dos cinco mais fortes já registrados, impulsionou temperaturas globais recordes e serviu de alerta sobre a vulnerabilidade crescente de sistemas naturais e urbanos.
O que é o fenômeno El Niño
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial central e oriental. Esse fenômeno costuma reconfigurar padrões de chuva e temperatura em várias regiões, provocando secas severas, enchentes e impactos econômicos amplos. Para os próximos meses, a OMM prevê elevação das temperaturas da superfície do planeta e, no Pacífico, padrões de precipitação semelhantes aos observados durante a La Niña, embora os efeitos em outras partes do mundo possam variar.
A organização destaca ainda que fenômenos como El Niño e La Niña ocorrem hoje em um ambiente de aquecimento global acelerado, causado pela ação humana. Essa têndencia de fundo eleva as temperaturas globais a longo prazo e intensifica eventos meteorológicos extremos.
Com AFP