Presidente interina da Venezuela reclama de pressão dos EUA: 'Chega de ordens de Washington'

Delcy Rodríguez disse que 'política venezuelana' deve ser a responsável por resolver 'diferenças e conflitos internos'

26 jan 2026 - 08h33
Resumo
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, criticou a pressão dos EUA sobre a política venezuelana, defendeu a soberania do país e pediu acordos para alcançar a paz, enquanto avança a libertação de presos políticos.
Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela
Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela
Foto: Jesus Vargas/Getty Images

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse no domingo, 25, que "já chega" de ordens vindas de Washington relacionadas à política venezuelana.

"Chega de ordens de Washington para os políticos venezuelanos. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras", afirmou Delcy em uma mensagem dirigida a trabalhadores do setor petrolífero no Estado de Anzoátegui.

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"Custou caro a esta república ter que enfrentar as consequências do fascismo e do extremismo em nosso país", afirmou a líder venezuelana. Delcy assumiu o poder em 3 de janeiro, após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, que se declararam responsáveis pelo país.

Desde então, ela está sob pressão do presidente americano, Donald Trump, com quem assinou acordos energéticos e concordou com a libertação de presos políticos. Mais de 100 presos políticos foram libertados no domingo, segundo a organização Foro Penal, em um processo que avança lentamente.

Delcy já havia dito que não tinha "medo" de confrontar os EUA diplomaticamente. "Se um dia, como presidente interina, eu tiver que ir a Washington, irei de pé, caminhando, não rastejando", afirmou em 15 de janeiro.

Por sua vez, Trump a chamou de "formidável" e garantiu que com ela "tudo está indo muito bem". Segundo a Casa Branca, ele a convidou para uma visita a Washington, embora ainda não haja data definida.

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Com as relações rompidas desde 2019, Washington e Caracas caminham para uma retomada "gradual" de seus laços. Na quinta-feira, os EUA nomearam um novo chefe para sua missão diplomática na Venezuela e avaliam a reabertura da embaixada no país.

Os americanos se declararam responsáveis ??pela Venezuela no período pós-Maduro e pelo controle das vendas de petróleo do país.

Mais de 100 presos políticos libertados

O governo venezuelano prometeu um "número significativo" de libertações de presos políticos. No entanto, a oposição e organizações de direitos humanos denunciam a lentidão do processo.

Familiares aguardam do lado de fora das prisões e passam a noite ao relento na esperança de ver seus entes queridos libertados.

"No Foro Penal, verificamos 104 libertações de presos políticos na Venezuela hoje. Continuamos verificando outras libertações", escreveu nas redes sociais o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, na noite de domingo. Mais cedo, Romero havia relatado "pelo menos 80" libertações ao longo do dia.

O governo venezuelano afirma ter registrado 626 libertações desde dezembro - número que Delcy pedirá ao Alto Comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, que seja verificado.

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O total oficial contrasta com os dados das ONGs. O Foro Penal contabiliza 375 libertações desde o mesmo período, pouco mais da metade mesmo com a inclusão das libertações deste domingo.

A entidade e outras organizações de direitos humanos estimam que centenas de membros da oposição ainda estejam presos no país.

'Acordo' para alcançar a 'paz'

A mais recente onda de libertações ocorre após Delcy pedir, no sábado, 24, um "acordo" com a oposição para alcançar a "paz".

"Não pode haver diferenças políticas ou partidárias quando se trata de paz na Venezuela", afirmou a presidente interina no Estado de La Guaira. "Devemos nos unir apesar de nossas diferenças e chegar a acordos", acrescentou.

A Venezuela vive há anos sob controle autoritário do Estado. Protestos espontâneos contra a reeleição contestada de Maduro, em 2024, terminaram em repressão e na prisão de mais de 2 mil pessoas em apenas 48 horas. Além disso, está em vigor um estado de emergência, que prevê punições com prisão para quem apoiar o ataque dos EUA.

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Na quinta-feira, 22, as autoridades venezuelanas libertaram Rafael Tudares, genro de Edmundo González Urrutia - rival de Maduro nas eleições contestadas de 2024. Tudares estava preso havia mais de um ano sob acusações de terrorismo, decisão que González classificou como "retaliação".

Também foram libertados o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, a especialista militar e ativista de direitos humanos Rocío San Miguel e o ativista e jornalista Roland Carreño.

Entre as figuras da oposição ainda detidas está Juan Pablo Guanipa, aliado da líder da oposição María Corina Machado e ligado a uma suposta conspiração contra as eleições regionais e parlamentares de 2025.

Permanecem presos ainda o ativista Javier Tarazona, detido desde 2021 sob acusações de "terrorismo", "traição" e "incitação ao ódio", e Freddy Superlano, preso em julho de 2024 durante protestos contra a reeleição de Maduro./Com informações da AFP

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