O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou após a quebra do banco digital Ueno afetar três milhões de correntistas e fundos de pensão públicos. Isolado politicamente e ameaçado por um processo de impeachment apoiado até por sua base, Peña deixou o cargo em meio a protestos populares e acusações de desvio e conflito de interesses. A intervenção e liquidação da instituição financeira pelo Banco Central também provocou a renúncia do presidente da autoridade monetária, Carlos Carvallo.
Com o Paraguai mergulhado em sua pior crise institucional em anos, o presidente do país, Santiago Peña, apresentou sua renúncia ao cargo em meio a um escândalo envolvendo a quebra do banco Ueno, que afetou as economias de aproximadamente três milhões de correntistas.
"Tomei a decisão de apresentar minha renúncia com o objetivo de preservar as instituições e a paz social", escreveu o mandatário em suas redes sociais.
O chefe de Estado, que estava a um passo do impeachment e havia ficado politicamente isolado, com seu próprio partido tendo aderido à moção de destituição apresentada pela oposição, pediu desculpas aos cidadãos pela crise bancária.
"Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", acrescentou.
Exigências pela renúncia imediata de Peña haviam partido de diversos setores da sociedade civil e de milhares de usuários do banco que, nas últimas horas, tomaram as ruas contra o congelamento de seus ativos bancários.
A denúncia da oposição acusa Peña de "desempenho inadequado de suas funções", com base em graves acusações que vão desde conflito de interesses e suposto desvio de fundos de pensão até o acobertamento institucional do banco central.
Na última terça-feira (3), a instituição financeira, maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, paralisou seus sistemas digitais e deixou de exibir os saldos dos correntistas. O Banco Central do Paraguai (BCP), por sua vez, decretou intervenção no Ueno e deu início ao seu processo de liquidação extrajudicial.
O colapso da instituição, que administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, gerou um terremoto político. O pânico financeiro intensificou-se pelo fato de o banco gerir a folha do Instituto de Previsión Social (IPS), responsável pelos fundos de pensão e cobertura de saúde dos trabalhadores do país.
Conservador, o presidente paraguaio, que também é economista, foi acionista do Grupo Vázquez. Como desdobramento imediato da crise, o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia ao cargo. Em nota, a autoridade monetária assegurou que o colapso do Ueno trata-se de um caso isolado e ressaltou a higidez do restante do sistema financeiro nacional. .