O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo sob forte crise política e após o Congresso iniciar a abertura de um processo de impeachment. O estopim foi o encerramento do banco digital Ueno, do qual Peña era ex-acionista, deixando clientes sem depósitos e gerando acusações da oposição sobre omissão do Banco Central. A saída encerra de forma abrupta o mandato do economista do Partido Colorado, gerando instabilidade financeira e uma transição constitucional no país.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5) em meio a uma severa crise política. A decisão do mandatário de 47 anos ocorreu pouco após o Congresso Nacional dar os primeiros passos para votar a abertura de um processo de impeachment contra ele e o vice-presidente.
Mensaje del Presidente de la República, Santiago Peña, al pueblo paraguayo. https://t.co/RBz6IfFV9L
— Santiago Peña (@SantiPenap) November 5, 2026
O estopim da instabilidade no país vizinho foi o encerramento das operações do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso aos próprios depósitos. Ex-acionista do grupo controlador da instituição financeira, o governante passou a ser alvo direto da oposição, que acusa o Banco Central paraguaio de encobrir irregularidades no sistema bancário.
A trajetória técnica de Peña antes de assumir o governo no Paraguai
Eleito em abril de 2023 pelo tradicional Partido Colorado, o economista substituiu Mario Abdo Benítez na chefia do Executivo após ter perdido as primárias da legenda para o antecessor em 2018. Graduado pela Universidad Católica Nuestra Señora de Asunción, ele iniciou a carreira profissional no Banco Central do seu país antes de concluir uma pós-graduação na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. A experiência internacional o levou a trabalhar no departamento para a África do Fundo Monetário Internacional (FMI) aos 30 anos de idade, retornando posteriormente à autarquia monetária paraguaia.
A vida pessoal e a transição para os quadros partidários
Na esfera pessoal, a história do ex-presidente é marcada pela paternidade precoce ao ter o primeiro filho aos 17 anos, ainda no período escolar. Casado com Leticia Ocampo, com quem teve outro filho, ele consolidou a entrada na vida pública ao assumir o Ministério da Fazenda durante a gestão do ex-presidente Horácio Cartes, entre 2015 e 2017.
Foi ao longo dessa passagem pelo ministério que ele se filiou formalmente aos quadros do Partido Colorado, migrando mais tarde para o setor privado ao atuar na instituição bancária pertencente ao seu antigo chefe político antes de conquistar o palácio presidencial.
A ascensão rápida na política institucional contrasta com o desfecho abrupto de seu mandato, interrompido pela insatisfação popular e pela pressão dos parlamentares.
O encerramento antecipado do governo recoloca a nação sul-americana no centro das atenções diplomáticas regionais, enquanto as autoridades monetárias e judiciais buscam restabelecer a estabilidade do sistema financeiro local e garantir a transição constitucional do poder.