Presidente do Irã discursa na ONU e acusa EUA de 'terrorismo'

Pezeshkian exibiu fotos de crianças mortas em ataque americano a escola

23 set 2026 - 12h33
(atualizado às 13h03)
Resumo
Na Assembleia Geral da ONU, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os EUA de terrorismo após ataques mortais no país e respondeu às ameaças de Donald Trump, afirmando que Teerã não cederá a pressões. O líder iraniano defendeu o bloqueio no Estreito de Ormuz por motivos de segurança, criticou o duplo padrão internacional sobre o arsenal nuclear de Israel e reiterou o direito ao uso pacífico de energia atômica, declarando-se aberto ao diálogo diplomático, mas sem imposições de força.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos de "terrorismo" e exibiu fotos de crianças mortas em um ataque americano contra uma escola em Minab em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Masoud Pezeshkian exibe fotos de crianças assassinadas em ataque americano contra escola
Masoud Pezeshkian exibe fotos de crianças assassinadas em ataque americano contra escola
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Pezeshkian ocupou a tribuna da ONU exatamente um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado "aniquilar" a República Islâmica caso não se chegue a um acordo para colocar um fim definitivo ao conflito no Oriente Médio.

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"O Irã jamais foi agressor, nunca iniciou uma guerra e sempre demonstrou seu compromisso com a mesa de negociações. Impuseram-nos a guerra, mas provamos que não temos medo de lutar", disse o líder iraniano em seu discurso.

Segundo ele, Trump precisa saber que "a resistência do povo do Irã apenas aumentará diante das sanções e das crescentes pressão e intimidação". "Jamais abaixaremos a cabeça nem nos curvaremos", acrescentou.

Além disso, Pezeshkian disse que o país persa é vítima de "terrorismo" por parte dos EUA e citou o assassinato do guia supremo Ali Khamenei e o bombardeio contra uma escola infantil em Minab, massacre que custou as vidas de mais de 150 crianças.

O presidente também exibiu imagens dos menores de idade mortos no ataque.

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Em protesto, a delegação americana abandonou o plenário da ONU. Trump vem tentando forçar Teerã a aceitar um acordo para encerrar a guerra e liberar completamente a navegação comercial no Estreito de Ormuz, cujo bloqueio pelas forças iranianas provocou a disparada dos preços de energia, com repercussões inflacionárias no mundo todo.

"Não podemos permitir que alguns tenham livre acesso [ao Estreito de Ormuz] e se aproveitem disso, usando-o para nos atacar, para minar nossa segurança e para nos impedir de acessar nossas próprias vias navegáveis", declarou Pezeshkian. Apesar disso, o presidente garantiu que o Irã está "pronto para o diálogo, a diplomacia e as negociações", porém "sem aceitar a linguagem da força". "Estendemos nossa mão ao mundo", afirmou.

O mandatário também reivindicou o direito iraniano de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos e acusou Israel de possuir bombas atômicas. "As armas nucleares estão nas mãos de Israel, mas os inspetores pedem para ir ao Irã. Israel mata, mas o Irã é alvo de sanções. Não pedimos tratamento especial, mas sim paritário", destacou.

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