A premiê italiana, Giorgia Meloni, pediu ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, que a União Europeia adote uma posição unificada sobre a guerra na Ucrânia. Em carta, ela cobrou a definição, até dezembro, de um representante com mandato formal para negociar pelo bloco. Meloni alertou que a falta de coordenação prejudica a credibilidade e a segurança do continente, negando buscar protagonismo para a Itália e defendendo uma voz única para evitar a irrelevância europeia nas negociações.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, pediu ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, que a União Europeia (UE) adote uma posição unificada em relação à guerra na Ucrânia e defina, até dezembro, quem representará o bloco nas negociações, e com qual mandato.
Em carta enviada a Costa nesta quinta-feira (5), Meloni afirmou que a Europa precisa falar "a uma só voz" diante dos acontecimentos recentes e advertiu que a falta de coordenação entre os países europeus compromete a credibilidade do bloco em uma das questões mais complexas enfrentadas pelo continente.
"Estou convencida de que todos nós percebemos que, ao projetar a imagem de uma Europa que age de forma desarticulada, estamos apenas servindo aos interesses daqueles que querem que esta guerra continue", escreveu a premiê, acrescentando que a situação é inaceitável diante das vidas humanas envolvidas e do futuro da segurança europeia.
Meloni solicitou formalmente que o tema seja incluído na agenda da próxima reunião informal do Conselho Europeu, em Dublin. A intenção é que os líderes discutam a questão e permitam que uma decisão seja formalizada na reunião do Conselho Europeu de dezembro, após consultas com o Reino Unido, a Noruega e outros parceiros europeus relevantes.
A primeira-ministra também procurou afastar interpretações de que sua iniciativa tenha como objetivo garantir um lugar para a Itália em algum formato específico de negociação.
"Não estou pedindo um assento para a Itália neste ou naquele formato. Pelo contrário: se isso tornar meu pedido mais crível, estou pronta para afirmar que não busco tal papel ? nem para mim, nem para a Itália", declarou.
Segundo Meloni, a principal preocupação é assegurar que a União Europeia tenha representação legítima e um mandato claramente definido nas negociações sobre o conflito.
A premiê ressaltou que a Itália continuará contribuindo sempre que possível, mas rejeitou a possibilidade de compromissos serem negociados sem um mandato europeu e, posteriormente, apresentados aos países do bloco como decisões que deverão assumir.
"O resultado é muito mais importante para nós do que o formato", enfatizou.
Na avaliação de Meloni, a ausência de uma estratégia comum pode deixar a Europa à margem de decisões fundamentais sobre o futuro da Ucrânia e da segurança do continente.
"Se a Europa busca moldar esse resultado, precisa falar com uma voz única e dotada de autoridade", afirmou.
Por fim, a chefe de governo italiana concluiu pedindo que Costa coloque o assunto entre suas prioridades, alertando que a falta de uma definição poderá condenar a Europa à irrelevância no processo de negociação.
"Confio que o senhor tornará esta questão uma de suas prioridades; saiba que pode sempre contar com o meu apoio", finalizou.