Ao menos 37 pessoas são investigadas em Portugal no âmbito da operação Irmandade, que desmantelou uma organização criminosa neonazista, que planejava uma "guerra racial" contra minorias étnicas no país.
Segundo documentos da promotoria, o grupo 1143 possuía uma estrutura operacional hierárquica chefiada por Mário Machado ? já preso por outros crimes de ódio ? ,cujos membros são acusados não apenas de incitações contra minorias étnicas, mas também de almejar ações mais amplas.
Conversas telefônicas grampeadas entre Machado e seu vice, Gil Costa, sugerem que os dois organizavam ataques violentos e intimidatórios com esquadrões contra cidadãos pertencentes a minorias étnicas, além de realizar provocações contra a comunidade islâmica através de vídeos e cartazes que retratavam Maomé como pedófilo e terrorista.
Ao mesmo tempo, o grupo mantinha preparativos militares em um campo de treinamento perto de Lisboa para uma "guerra racial" em grande escala.
Por telefone, Machado e Costa citaram as ações de organizações da direita radical na província de Múrcia, na Espanha, contra imigrantes norte-africanos em julho passado, como um exemplo a ser seguido.
Entre os suspeitos, cinco foram para a prisão preventiva, enquanto os demais cumprem outras restrições, como a de não ter contatos entre si.
Os investigados, "com idades entre os 30 e os 54 anos, adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes", diz a Polícia Judiciária (PJ) portuguesa em nota divulgada em seu site.
Entre os suspeitos, há um agente da polícia, um militar da Força Aérea e vários membros do Chega, o principal partido da oposição no Parlamento português.