Moradores de Gaza e o Hamas acusam Israel de destruir uma usina de dessalinização recém-reformada em Sheikh Radwan, infraestrutura vital para a região. O ataque deixou ao menos dois civis mortos, provocou novos deslocamentos e destruiu casas. Enquanto os palestinos denunciam a perda deliberada de recursos essenciais para a sobrevivência, as forças israelenses alegam que o bombardeio teve como alvo um depósito de armas do Hamas.
Rami El Meghari, correspondente da RFI em Gaza
Israel afirmou que o alvo era um depósito de armas do Hamas. Já o movimento palestino e moradores da região acusam o Exército israelense de destruir deliberadamente uma infraestrutura civil essencial para a população.
A explosão abalou toda a região de Sheikh Radwan, no noroeste da Cidade de Gaza. Karam Alnemnem, que morava perto da usina, viu não apenas sua casa, mas também seus planos para o futuro serem destruídos.
"Eu deveria me casar em cerca de duas semanas. Todos os meus móveis, minhas malas e os pertences da minha futura esposa foram destruídos. Que Deus nos compense por essa perda", lamenta o jovem de 25 anos.
O ataque deixou pelo menos dois mortos, ambos civis, entre eles um idoso e uma criança. Centenas de pessoas também foram obrigadas a deixar suas casas.
Como o caso de Jihane, jovem que critica os "falsos apelos à paz" e pede ajuda à comunidade internacional. "Estão mentindo para nós. A guerra continua. Já fomos deslocados várias vezes do sul de Gaza. Que nos tirem daqui, estamos fartos. Basta!", desabafa.
Infraestrutura vital
A usina havia acabado de ser recuperada após meses de trabalho. Responsável pela reforma, Abdelhameed Almekawi diz estar indignado com a destruição do local.
"Fizemos esforços enormes, dia e noite, para finalmente fornecer água às pessoas e trazer um pouco de alívio. Israel afirma que isto era um depósito de armas. Juro que isso é falso. Jovens trabalharam em meio ao mau cheiro para remover montanhas de lixo e eliminar ratos e mosquitos", conta.
O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, condenou o bombardeio e classificou o episódio como "uma nova tentativa de privar os habitantes de Gaza de qualquer meio de sobrevivência".