O partido Likud, de Benjamin Netanyahu, acusou legendas árabes de fraudarem as eleições em Israel por meio de violência, compra de votos e irregularidades, após a polícia deter três pessoas com dinheiro vivo. A Comissão Central Eleitoral investiga as denúncias. Diante de uma disputa acirrada sem maioria clara para a direita, os partidos árabes ganharam peso decisivo, levando rivais a acusarem Netanyahu de incitar o ódio e articular uma manobra prévia para contestar os resultados das urnas.
O premiê, que, ao longo da campanha eleitoral, utilizou os partidos árabes israelenses para alimentar receios sobre um Estado palestino, já havia feito uma acusação semelhante na terça-feira (27), durante a votação, incentivando seus apoiadores a comparecerem em peso às urnas.
Em um comunicado nesta quarta-feira, o Likud afirmou que a eleição foi "roubada por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a aniquilação do Estado judeu", acusando-os de "corrupção, ameaças, violência, mentiras e o uso de softwares proibidos" para incentivar o comparecimento dos eleitores.
A legenda acrescentou que está apresentando depoimentos e provas às autoridades, alegando a existência de "milhares de envelopes cheios de dinheiro e cédulas do Raam (legenda árabe), ameaças e violência contra funcionários das seções eleitorais", além de outras irregularidades.
De acordo com o site israelense The Times of Israel, a Comissão Central Eleitoral informou que está analisando as alegações de fraude e irregularidades apresentadas por todos os partidos, após pedido do Likud "por uma investigação sobre uma suposta fraude generalizada na eleição de ontem".
Peso inédito da minoria árabe
Com mais de 85% dos votos apurados, o bloco de direita de Netanyahu está ligeiramente à frente, com uma projeção de 53 cadeiras no Knesset (parlamento de 120 membros), enquanto o bloco de seu principal rival, Gadi Eisenkot, aparece com 48.
Como é improvável que qualquer um dos blocos atinja o patamar de 61 cadeiras, necessário para formar a maioria, os dois grupos árabes israelenses — a Lista Conjunta e o Raam — encontram-se em uma posição potencialmente decisiva, somando uma projeção de 19 cadeiras.
Na terça-feira, Netanyahu já havia acusado os dois partidos, o Raam em particular, de "tentarem roubar a eleição", citando relatos de indivíduos detidos com envelopes contendo dinheiro.
O diretor-geral interino da Comissão Central Eleitoral, Dean Livne, classificou o incidente como "incomum", afirmando que "a polícia deteve indivíduos que tentavam subornar eleitores, antes mesmo de as pessoas chegarem aos locais de votação".
A polícia confirmou que três pessoas foram presas durante a noite sob a suspeita de tentar comprar votos para o Raam, informando que foram apreendidos envelopes e mais de 24 mil shekels (cerca de R$ 42 mil) em dinheiro.
O líder do Raam, Mansour Abbas, acusou o primeiro-ministro de "mentir e incitar o ódio contra" seu partido, e de usá-lo "para mobilizar eleitores de direita".
A legenda do principal adversário de Netanyahu, Gadi Eisenkot, afirmou que o premiê planejava "preparar o terreno para contestar os resultados".
Com AFP