Paraguai vive impasse político com julgamento de impeachment de Peña após colapso de banco

6 nov 2026 - 13h43
Resumo
O Paraguai enfrenta um impasse político após o presidente Santiago Peña renunciar devido ao colapso do banco Ueno, instituição com a qual tinha vínculos comerciais. O Senado abriu processo de impeachment contra Peña por corrupção, conflito de interesses e desvio de fundos, enquanto sua renúncia ainda não foi formalizada e o vice não assumiu. A crise gerou protestos em Assunção por indenizações a correntistas e acendeu o alerta em investidores internacionais e no Brasil sobre a estabilidade local.

‌O Senado do Paraguai abriu nesta sexta-feira sessão extraordinária no âmbito do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, o que aumentou a incerteza quanto à liderança do país após ele ter renunciado em conexão com o colapso de um banco local.

Peña ⁠apresentou sua renúncia na quinta-feira, após a falência do banco ‌Ueno, com o qual mantinha laços comerciais no passado. Sua renúncia ainda não foi formalmente aceita, deixando o país em um ‌limbo político enquanto o processo de ‌impeachment segue em andamento.

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O vice-presidente Pedro Alliana, que deve ⁠assumir a Presidência no lugar de Peña, ainda não havia tomado posse até o início da sexta-feira.

A equipe jurídica de Peña havia solicitado uma prorrogação de 72 horas para apresentar sua defesa, o que foi rejeitado pelo Senado. O presidente seria notificado de ‌que foi intimado a comparecer perante o Senado nesta sexta-feira.

Na noite ‌de quinta-feira, os ⁠parlamentares, atuando como ⁠promotores, apresentaram formalmente as acusações que fundamentam o impeachment de Peña. Os ⁠parlamentares da oposição argumentaram que ‌qualquer votação final deve ‌respeitar o direito do presidente à defesa antes que o processo siga adiante.

Segundo as acusações de impeachment, Peña cometeu conflitos de interesse, manipulou a supervisão regulatória, desviou fundos de previdência ⁠e participou de um encobrimento institucional envolvendo o banco central.

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A crise política se espalhou pelas ruas, com manifestantes retornando ao centro de Assunção na noite de quinta-feira exigindo responsabilização pelo colapso do Ueno e uma indenização ‌mais rápida para os depositantes cujas economias permanecem congeladas.

Alguns correntistas começaram a recuperar seu dinheiro na noite de quinta-feira.

As perspectivas de ⁠uma longa transição política também chamaram a atenção dos investidores e do Brasil, o maior parceiro econômico do Paraguai. Embora os órgãos reguladores tenham procurado tranquilizar os mercados garantindo a maior parte dos depósitos e contendo os riscos para o sistema financeiro como um todo, os investidores estão atentos para ver se a turbulência política abala a confiança nas instituições do Paraguai.

"Os protestos contra o congelamento das poupanças se intensificarão se a saída de Peña parecer garantir impunidade a ele ou se os pagamentos aos depositantes e aposentados forem paralisados", disse Mariano Machado, analista-chefe para as Américas da Verisk Maplecroft.

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