Em mensagem para a conferência internacional em Roma, o papa Leão XIV celebrou o centenário da ordenação dos primeiros seis bispos chineses junto ao túmulo de Pedro. O Pontífice ressaltou que a unidade do episcopado com o Bispo de Roma é indispensável para a comunhão católica e afirmou que a memória desse evento histórico ilumina o presente ao superar desconfianças. Diante de guerras e tensões globais, ele pediu orações pela preservação da comunhão da Igreja como fonte de paz para o mundo.
O papa Leão XIV destacou nesta quinta-feira (5) a importância da unidade de cada bispo com o sucessor de Pedro como elemento indispensável da comunhão da Igreja Católica.
A declaração foi feita em uma mensagem em vídeo enviada aos participantes da conferência internacional "O Rosto da Igreja Universal na China: 100 Anos da Consagração dos Primeiros Bispos Chineses", realizada em Roma.
O encontro foi organizado pelo Dicastério para a Evangelização, por meio da Seção para a Primeira Evangelização, em colaboração com a Pontifícia Universidade Urbaniana.
Na mensagem, o Pontífice recordou a viagem dos primeiros seis bispos chineses a Roma, há 100 anos, para receber a ordenação episcopal junto ao túmulo do apóstolo Pedro, ressaltando o significado daquele acontecimento para a história da Igreja na China.
"É comovente pensar nos nossos seis futuros bispos, que viajaram de Xangai até Roma para receber a ordenação episcopal junto ao túmulo do Apóstolo Pedro", afirmou.
Segundo Leão XIV, a viagem representou um testemunho da comunhão que nasce da fé apostólica.
O Papa enfatizou ainda que "a unidade de cada bispo com o Bispo de Roma" constitui um "sinal indispensável" dessa comunhão. "É um sinal belo, gratuito e reconfortante; um vínculo libertador; uma proximidade que inspira confiança; e, acima de tudo, uma manifestação do mistério do Corpo Místico de Cristo.
Ao recordar o pensamento de São Paulo VI, expresso no "Credo do Povo de Deus", Leão XIV destacou que o Corpo Místico de Cristo "não possui outra vida senão a da graça". Essa realidade, explicou, constitui a singularidade da Igreja, distinguindo-a dos sistemas e organizações sociais e políticos que estruturam a convivência entre os povos.
Na parte final da mensagem, o Papa relacionou o centenário à realidade atual da Igreja e aos desafios enfrentados pelo mundo.
"Olhar para o passado pode lançar luz sobre o presente", afirmou, recordando que a viagem dos seis primeiros bispos chineses a Roma despertou alegria e orgulho entre muitos de seus compatriotas, deixando em segundo plano sentimentos de desconfiança, suspeita e hostilidade.
Por fim, Leão XIV ressaltou que, mesmo diante de um cenário internacional marcado por conflitos e guerras, a Igreja continua sua missão de promover a comunhão.
O Pontífice concluiu com um apelo à oração para que Deus proteja, diante de qualquer perigo, o tesouro da comunhão eclesial, que definiu como "uma fonte fecunda de bondade e paz para todos".