Em seu primeiro discurso na Espanha, o papa Leão XIV afirmou neste sábado (6) que é necessário abandonar narrativas divisivas e rejeitar abordagens identitárias que simplificam a realidade social e alimentam polarizações.
"Convido a todos a abandonar as narrativas divisivas e polarizadoras de sua realidade social e sua história, a passar de simplificações estéreis para uma apreciação da complexidade", declarou o pontífice em Madri.
O religioso destacou que a Europa tem uma vocação específica nesse sentido, com a Espanha desempenhando papel central.
Segundo o Papa, o continente pode oferecer ao mundo "o presente de apreciar a complexidade" e manter-se jovem ao não negar a diversidade, mas compreendê-la.
O pontífice também rejeitou o que chamou de "abordagens identitárias que parecem esclarecer tudo, mas povoam o mundo de fantasmas e inimigos", defendendo uma visão mais aberta da realidade histórica e social.
Em outro trecho de seu discurso, Robert Prevost afirmou que sua visita tem como objetivo incentivar reconciliação e cooperação entre diferentes setores da sociedade espanhola e também criticou a chamada "cultura do conflito".
Ele afirmou que a estabilidade não nasce da oposição entre grupos, mas da "cultura do encontro". Em sua visão, mensagens de paz são frequentemente vistas como ingênuas, mas ganham força quando não estão presas a ideologias rígidas.
"Venho a vocês para confirmar, encorajar e inspirar uma fidelidade renovada ao Evangelho entre os fiéis e uma reconciliação e cooperação mais profundas entre as diversas almas desta nação", disse.
Em pronunciamento perante a autoridades, sociedade civil e corpo diplomático no Palácio Real de Madrid, o Papa afirmou que a segurança não nasce de "armas e muros", mas do diálogo e da cooperação.
"A segurança, que muitas vezes nos iludimos pensando que vem de armas e muros, amadurece ao aprendermos a progredir com os outros, a crescer juntos, lado a lado", declarou.
Além disso, fez referência à história da Península Ibérica e à convivência entre cristãos, muçulmanos e judeus, citando filósofos como Averróis e Maimônides, e destacou que esse período histórico incluiu conflitos, mas também experiências de diálogo e troca cultural.
O Papa pediu ainda para evitar "palavras que humilhem ou se oponham" e defendeu critérios como dignidade da pessoa humana, justiça social, cuidado com os mais pobres e promoção da paz.
Na sequência, o rei da Espanha, Felipe VI, respondeu destacando que valores como dignidade humana, direitos fundamentais e legalidade internacional devem ser a base da convivência democrática. Em tom simbólico, afirmou que esses princípios devem funcionar como uma "aritmética da liberdade", capaz de somar em vez de dividir.
Felipe VI também ressaltou a importância histórica do catolicismo na formação cultural espanhola, ao mesmo tempo em que defendeu empatia e escuta num mundo saturado de informações e marcado por desafios como a inteligência artificial.
Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a visita do pontífice é uma oportunidade para "construir pontes de diálogo, compreensão e esperança", reforçando o compromisso do país com a convivência, a justiça social e a dignidade humana.
O Papa segue agenda oficial no país até o dia 12 de junho, com compromissos em Madri, Barcelona e Ilhas Canárias.