Papa Leão XIV adverte que saúde não pode ser 'luxo para poucos'

Apelo foi feito durante encontro com membros da OMS e das Igrejas Europeias

18 mar 2026 - 09h15
(atualizado às 09h46)

Em um apelo por mais justiça social, o papa Leão XIV alertou nesta quarta-feira (18) que o acesso à saúde não deve ser tratado como privilégio de poucos, mas como um direito fundamental de todos.

Leão XIV participou de conferência sobre saúde em Roma
Leão XIV participou de conferência sobre saúde em Roma
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A declaração foi dada a membros das Conferências Episcopais da Europa e da Organização Mundial da Saúde (OMS), durante uma conferência sobre saúde em Roma.

Publicidade

"A saúde não pode ser um luxo para poucos, mas sim uma condição essencial para a paz social", afirmou ele, explicando que "a cobertura universal de saúde não é apenas um objetivo técnico a ser alcançado; é, antes de tudo, um imperativo moral para as sociedades que desejam se definir como justas".

Segundo o Papa, "garantir assistência médica aos mais vulneráveis é essencial não apenas por respeito à dignidade humana, mas também como forma de prevenir tensões sociais". "É evitar que a injustiça se torne a semente do conflito", alertou.

Em seu discurso, Leão XIV também chamou atenção para o agravamento das desigualdades no acesso à saúde em diversos países. De acordo com ele, um número cada vez menor de pessoas consegue obter tratamento adequado, mesmo onde há serviços disponíveis.

Além disso, fez um apelo sobre a saúde mental, especialmente entre os jovens. "As feridas invisíveis da psique não são menos graves do que as visíveis", afirmou, pedindo ações urgentes para enfrentar o problema.

Publicidade

Na sequência, Robert Prevost enfatizou que "o distanciamento, a distração e a habituação à visão da violência e do sofrimento alheio nos levam à indiferença".

"Todo homem e mulher, especialmente os cristãos, é chamado a fixar o olhar naqueles que sofrem, na dor das pessoas solitárias, naqueles que, por vários motivos, são marginalizados e considerados 'descartados', porque sem eles não seremos capazes de construir sociedades justas, à medida da pessoa", disse ele.

Por fim, o Papa concluiu ressaltando que o bem-estar coletivo depende da solidariedade, porque ignorar os mais vulneráveis não leva à felicidade, mas ao aprofundamento das desigualdades.

"É ilusório pensar que, ignorando esses irmãos e irmãs, é mais fácil alcançar a felicidade. Somente juntos podemos construir comunidades de solidariedade e capazes de cuidar de cada pessoa, nas quais o bem-estar e a paz se desenvolvam, para o benefício de todos", concluiu o religioso, lembrando que "cuidar da humanidade dos outros nos ajuda a viver a nossa própria". 

Publicidade
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações